Vitória da Conquista receberia maior lote de cloroquina do Exército: 50 mil comprimidos

Documentos obtidos pela Agência Pública comprovam que Saúde e Exército combinaram distribuição, com urgência, de 2,5 milhões de comprimidos pelo país nas gestões de Mandetta, Teich e Pazuello

A Agência Pública divulgou nesta quinta-feira, 24, uma grande reportagem sobre a distribuição de 2,5 milhões de comprimidos pelo país durante a pandemia do coronavírus. Segundo investigação do veículo, Vitória da Conquista na Bahia seria a cidade a receber mais comprimidos do medicamento. Os pedidos foram feitos com um detalhe: urgência e dispensa de licitações.

Leia aqui a reportagem completa: Ministério da Saúde pediu a Exército envio de cloroquina para todo o Brasil com emergência

Segundo ofícios que a reportagem obteve por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o  Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DAF/SCTIE) pediu em março, abril, julho e agosto de 2020 que o Exército enviasse cloroquina a todos os estados brasileiros, questionou a produção de mais comprimidos e ainda ordenou que a distribuição do remédio ocorresse em caráter de emergência e urgência.

Documentos comprovam que a destinação da cloroquina, a partir da gestão Pazuello, era o comprovadamente ineficaz “tratamento precoce”, publicamente defendido pelo então prefeito da cidade Herzem Gusmão (MDB). Em julho de 2020, o prefeito publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que solicitou ao governo federal o envio da hidroxicloroquina para a cidade, já que a ivermectina e a azitromicina a própria prefeitura faria a compra dos medicamentos.

Post no Instagram do então prefeito Herzem Gusmão (MDB)

“Em defesa da autonomia médica e do acesso aos medicamentos, formamos um comitê de estudos para viabilizar o tratamento precoce e encaminhamos o pedido dos médicos conquistenses ao Ministério da Saúde. Estamos aguardando o envio das medicações solicitadas para garantir à população e aos profissionais de saúde mais um recurso no combate ao coronavírus”, defendeu em vídeo em seu Instagram pessoal. Herzem faleceu em março de 2021 após complicações da Covid-19.

Na época, o Ministério da Saúde afirma não ter mais estoque do medicamento e pede que o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército – LQFEx envie o que possuía de pronta entrega, reforçando mais uma vez que as distribuições fossem feitas em caráter de urgência. O comunicado estipulou não apenas a quantidade que cada estado receberia, mas também os municípios. O que mais deveria receber, segundo os cálculos do governo, seria Vitória da Conquista, na Bahia.

No pedido, estão reservados para Conquista 50 mil comprimidos do medicamento., mais do que o previsto para capitais como Florianópolis (40 mil) e cidades com maiores populações, como Blumenau (1,5 mil). Logo atrás de Vitória da Conquista está Porto Seguro, com 40 mil comprimidos e também estava prevista a distribuição para as cidades baianas de Ilhéus, Itapetinga, Jequié e Campo Alegre.

Em março de 2021, segundo reportagem do site Avoador, médicos ainda receitavam o medicamento nos postos da rede municipal de saúde de Conquista. Uma advogada, que pediu para não ser identificada, contou que alguns membros de sua família foram diagnosticados com covid-19, se consultaram em unidades de saúde da cidade e vários profissionais prescreveram medicamentos do kit covid. “Um braço da minha família teve covid-19, inclusive o meu pai. A maioria dos médicos que consultamos receitou o tratamento precoce, do plantonista ao pneumologista”. Uma das receitas, entregue no início deste mês (02/03/21) com o brasão da Prefeitura, prescreve os medicamentos hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, entre outros.  

O Exército disse à CNN, no dia 7 de maio, que não houve novas distribuições de cloroquina aos estados e municípios brasileiros desde janeiro deste ano