Profissionais da comunicação repudiam ataque de Herzem à jornalista Indhira Almeida

Por Revista Gambiarra

Campanha do atual prefeito de Vitória da Conquista Herzem Gusmão (MDB) chamou a apresentadora do programa do candidato Zé Raimundo (PT) de mentirosa ao trazer notícias de veículos jornalísticos ao ar

No programa eleitoral exibido nesta quinta-feira (05), a equipe da campanha do atual prefeito de Vitória da Conquista Herzem Gusmão (MDB) escolheu atacar a imprensa. A jornalista Indhira Almeida e ex-repórter da TV Sudoeste foi chamada de mentirosa ao apresentar no programa do também candidato Zé Raimundo (PT) matérias jornalísticas que noticiaram a falta de vontade política de Herzem em aderir o consórcio da políclinica de saúde do Governo do Estado.

Com o ocorrido, diversos profissionais da área de comunicação ou que atuam na imprensa do município se manifestaram em notas de solidariedade à colega. Em uma delas, a atitude é lida como “anti-democrática e irresponsável”. “Ao atacar pessoalmente a jornalista Indhira Almeida, que apresenta o programa eleitoral do candidato José Raimundo, o atual prefeito ataca todos os profissionais da imprensa conquistense. Um ataque direto ao jornalismo, à liberdade de expressão e à democracia”, diz.

Os historiadores Elton Becker e Afonso Silvestre, ambos com atuação na comunicação local, também repudiaram a situação.A fala infeliz, parva e teleguiada, denota o desespero diante da verdade constrangedora, tenta constranger de volta, ou seja, tenta tirar a liberdade sagrada e republicana conquistada a duras penas pelo povo brasileiro. Mas que agora está sendo colocada em risco por práticas abjetas.”, disseram em nota.

Leia as notas na íntegra

Nota de Solidariedade

No ano passado, segundo dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram registrados 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas, um aumento de mais de 54% em relação 2018, conforme o relatório “Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil”. Em 2020, os principais ataques contra veículos de comunicação e jornalistas foram feitos pelo presidente Jair Bolsonaro. Trata-se de uma prática tipicamente fascista, de pessoas com graves limitações cognitivas e técnicas, mas que, por bajulação ou violência (e aqui inclui-se a mentira), ocupam cargos.

Em Vitória da Conquista, mais uma vez, o tom autoritário e agressivo dessas práticas de pensamento, orientadas por um prefeito que se pauta pelo ódio e pelo autoritarismo, vem agredir a jornalista Indhira Almeida. 

Além de ser uma prática inaceitável e incondizente com uma pessoa civilizada e em pleno gozo de suas faculdades mentais, é uma agressão inexplicável por ser, ao que parece, fruto de conflitos internos injustificáveis. Sabemos que o atual prefeito da cidade é um defensor (da boca pra fora) da liberdade de imprensa. Todos sabem que ele ganhou a sua vida no rádio, mas parece que jamais entendeu o papel da imprensa em permitir a nossa própria liberdade, sem a qual não há dignidade das pessoas e da própria democracia.

A fala infeliz, parva e teleguiada, denota o desespero diante da verdade constrangedora, tenta constranger de volta, ou seja, tenta tirar a liberdade sagrada e republicana conquistada a duras penas pelo povo brasileiro. Mas que agora está sendo colocada em risco por práticas abjetas.

Ao longo de seu mandato, nos últimos quatro anos, o chefe do poder executivo tentou promover sistemática descredibilização da imprensa e dos jornalistas que lhe fizeram crítica. Trata-se de uma forma de institucionalizar a violência contra a imprensa e seus profissionais como prática de seu governo.

É triste notar o apreço pela mentira como modo de vida. Mais triste ainda é o desespero e a covardia de quem, diante de uma verdade incontestável, se presta a depreciar-se ainda mais, colocando a cara em redes sociais para reafirmar uma mentira. E, pior, apontando o dedo para outrem, talvez como forma de aliviar-se do peso das suas próprias escolhas.

Agora, novamente, e aproveitando-se do período eleitoral, o prefeito e seus sequazes promovem agressões e ameaçam a liberdade e a integridade moral de uma profissional jornalista. Porém, a verdade é incontestável, está espalhada pela cidade há mais de um ano por uma gravação onde o tal afirma recusar-se a aderir a uma policlínica para não “ajudar o PT”. Ou seja, na luta política vale tudo, até penalizar a população?

Nós acreditamos que não. Acreditamos que a prática de se recusar a cuidar da cidade para a qual se elegeu prefeito é insana e mostra a fragilidade moral e intelectual de pessoas que só conseguiram chegar ao poder através da mentira e da violência. E, agora, diante de uma derrota homérica, recorrem às únicas formas que conhecem: mentira, falta de educação, grosseria, baixaria.

Mas, a verdade é que o prefeito sempre se recusou a tratar respeitosa e democraticamente as questões sobre a Policlínica Regional de Vitória da Conquista, cujas primeiras tratativas ocorreram entre setembro e dezembro de 2017, quando ele não compareceu e não enviou representante.

Logo depois, a população de Conquista deparou com as falas do próprio prefeito, ipsis verbis, afirmando em impropérios o que toda a população ficou sabendo e que, agora, neste momento de desespero, estuma seus cães de muitas cabeças confusas para praticar a única coisa que a população tem visto da parte: MENTIRAS. 

Claro que ele teve que aderir. Mas esta adesão à Policlínica só foi feita depois que setores colegiados da saúde apontaram para o consórcio. Porém, o estrago já estava feito. Em 18 de dezembro de 2018, o blog Blitz Conquista revelou através da tal gravação o receio do cujo de que a policlínica tivesse sucesso. Na gravação, ele xinga adversários.

Agora, mais uma vez mal avaliado nas pesquisas, ele tenta criar falsas polêmicas e ataca o trabalho de jornalistas que mostram a verdade, para tentar se capitalizar em cima de algo que não é real. Porém, a cidade sabe com quem trata, e isto pode ser claramente visto nas pesquisas.

Portanto, manifestamos aqui nossa solidariedade, respeito e gratidão, através da jornalista Indhira Almeida, a todos os jornalistas que prezam pela sua profissão e suas finalidades dentro da sociedade. A todos os jornalistas que conhecem seus instrumentos, sua própria linguagem, técnica e código de ética. Aos demais, só temos que lamentar.

Vitória da Conquista, 05 de novembro de 2020

Elton Becker

Afonso Silvestre

HISTORIADORES

Profissionais da Imprensa repudiam ataques pessoais da campanha de Herzem contra a Jornalista Indhira Almeida

Uma atitude anti-democrática e irresponsável foi assumida pela campanha do candidato Herzem Gusmão, no programa eleitoral desta quinta-feira, 5 de novembro. Ao atacar pessoalmente a jornalista Indhira Almeida, que apresenta o programa eleitoral do candidato José Raimundo, o atual prefeito ataca todos os profissionais da imprensa conquistense. Um ataque direto ao jornalismo, à liberdade de expressão e à democracia.

O prefeito classificou como mentirosas as manchetes dos veículos jornalísticos que repercutiram o polêmico áudio em que ele afirma não querer aderir ao consórcio da policlínica de saúde do Governo do Estado por conta de um jogo político. Na ocasião, as declarações do prefeito repercutiram em toda a Bahia, sendo veiculadas inclusive em rádios e blogs da capital baiana.

No entanto, a apresentadora não inventou notícias, não criou fatos ou repercutiu uma opinião pessoal, ela mostrou o que profissionais da comunicação e da imprensa escreveram e publicaram sobre o caso na época.

#SomosTodosIndhira