População participa de sessão em homenagem ao Dia da Consciência Negra

Durante o evento, as comunidades quilombolas, o preconceito racial, o retrocesso das políticas públicas, a intolerância religiosa e o genocídio da juventude negra foram algumas das pautas abordadas

Com informações da Ascom Câmara

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, que será comemorado no próximo dia 20, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista realizou na manhã de hoje (16), uma sessão solene. Estiveram presentes no evento Uelber Barbosa Silva, gerente da coordenação de igualdade racial; Mãe Graça, representando as religiões de Matrizes Africanas; Elza Ferreira Mendes, coordenadora municipal de políticas para as mulheres; Jamile Santos, representante das comunidades quilombolas, parlamentares, dentre outros convidados.

Durante a sessão, o preconceito racial, o retrocesso das políticas públicas, a intolerância religiosa e o genocídio da juventude negra foram algumas das pautas abordadas. Para o gerente da coordenação de Igualdade Racial, Uelber Silva,  “são tempos difíceis, do ponto de vista político nacional e internacional”. Ele se referiu ao contexto político atual do Brasil como uma “ofensiva do capital em sua ofensiva mais reacionária possível”.

A representante das comunidades quilombolas, Jamile Santos, aproveitou o momento para pedir que as comunidades quilombolas do território conquistense sejam respeitadas em todos os aspectos e que recebam atenção do poder público. Em Vitória da Conquista existem 27 comunidades reconhecidas, que, segundo a representante, ainda são vistas como ambientes fechados sem direito ao acesso às ações sociais de promoção da saúde, educação e cultura. “Precisam de uma atenção maior, do reconhecimento, do que elas representam. Não podemos lembrar da consciência negra apenas quando chega novembro, mas todos os dias. As comunidades quilombolas, as mulheres negras, os jovens negros sofrem diariamente com o preconceito”, completou Jamile.

Representando as religiões de matrizes africanas, Mãe Graça ressaltou que um dos motivos da intolerância religiosa é a falta de conhecimento. “Procurem saber o que são as religiões. Não fiquem bitolados que somos porta vozes dos demônios. Cremos nas divindades”.

A representante do coletivo feminista Negras Dió, Carla Alessandra Souza Silva, salientou que as negras cresceram sem representatividade na mídia, nos livros didáticos, nas representações como professores das escolas. “Precisamos nos ater no sentido que a mulher negra existe, é chefe de família”. Na tribuna livre, Lucélia Novais destacou que diariamente as pessoas negras são vítimas de discriminação racial e religiosa. Ela pediu atenção às pautas do povo negro e da periferia, de modo que sejam alvo da atenção do Poder Legislativo. “Ninguém olha para as nossas pautas como coisa importante”, lamentou.

Ainda durante a sessão foram homenageados com o Troféu Zumbi dos Palmares a professora universitária Núbia Regina Moreira, o Tata João Silva e o militante LGBT Antônio Carvalho de Oliveira, devido aos trabalhos realizados junto com a população negra, visando o combate a discriminação racial no país.