Militância avalia atos “Fora Bolsonaro” em Conquista

Conversamos com representantes de partidos e movimentos sociais que puxaram a mobilização contra a política bolsonarista

Por Erick Gomes

Desde maio as ruas de cerca de 400 cidades brasileira começaram a receber atos em repúdio à política do governo federal no combate à pandemia. O movimento #ForaBolsonaro também chegou forte em Vitória da Conquista, que recebeu um novo ato na Praça 9 de Novembro no dia 19 de junho, em consonância com a mobilização nacional .

Posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro durante o enfrentamento da pandemia, como deixar 53 emails da Pfizer sem resposta e estar sem máscara em 70% dos eventos em que participa, contribuem para o aumento de casos da doença e motivaram a realização dos atos dos dias 29 de maio e 19 de junho. As manifestações buscaram esclarecer a população sobre a responsabilidade do presidente no impacto da Covid-19 nas cidades.

Centenas de pessoas usando máscaras foram às ruas para reivindicar o impeachment do presidente, a ampliação da vacinação contra a covid-19, a manutenção do Auxílio Emergencial de R$600,00, políticas de enfrentamento ao desemprego e o fim dos cortes das verbas das universidades públicas. Ato aconteceu na mesma data em que o Brasil alcançou a marca de meio milhão de mortes pela pandemia.

Em Conquista, o ato foi organizado pelo Fórum Sindical e Popular Municipal. Estiveram presentes sindicalistas, ativistas, professores, estudantes e trabalhadores em geral. Conversamos com algumas pessoas presentes e representantes destas organizações, que avaliariam o momento. A manifestação também contou com uma Comissão de Saúde, composta por infectologistas, que orientou os organizadores da manifestação sobre as medidas de segurança necessárias, que realizaram a distribuição de máscaras PFF2 para o público.

LUCIANA OLIVEIRA (PCDOB)

A jornalista e militante pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) de Conquista, Luciana Oliveira, comenta que o evento do último sábado contou com as falas de representantes de movimentos sociais, sindicais e de partidos da cidade. “A gente teve a participação de movimentos tanto da zona rural quanto urbana denunciando o governo Bolsonaro não só pelo descaso do combate à pandemia mas também pela situação de crise econômica que o país vive”.  

KEU SOUZA (PSOL)

De acordo com a dirigente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Keu Souza, a manifestação de 19 de junho se diferencia da realizada no dia 29 de maio pela maior participação de partidos, de mais forças centrais, e a confecção de cartazes, adesivos e bandeiras. “Precisamos ocupar, a luta é coletiva, só a unidade nesse momento mesmo para poder tirar esse governo genocida, e a gente precisa ocupar as ruas porque a rua é do povo”. 

LAYSE FRANÇA (C.A RESILIÊNICA)

A estudante de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenadora geral do Centro Acadêmico Resiliência, Layse França Alves, explica que as manifestações Fora Bolsonaro tem aumentado a força dos movimentos estudantis, e que a União Nacional dos Estudantes tem contribuído com a mobilização da população nesses protestos. “Os movimentos estudantis como um todo estão sendo articulados, não só na cidade de Vitória da Conquista, mas em todos os estados e cidades do Brasil, e a gente percebe que isso só tende a crescer, cada vez mais”. 

ALEXANDRE GALVÃO (ADUSB)

O professor de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e presidente da Associação dos Docentes da UESB – Adusb, Alexandre Galvão Carvalho, afirma que o ato teve um número maior de pessoas que o do dia 29 de maio, o que mostra a tendência das próximas manifestações continuarem a crescer. “Apesar de estarmos nos arriscando aqui, mas tomamos todos os cuidados, é importante que o Brasil diga não ao Bolsonaro. O povo organizado e em luta vai conseguir derrubar esse governo”.