#Editorial Conferência tem saldo positivo, mas a juventude poderia ter ocupado melhor

A 2ª edição da Conferência Municipal da Juventude de Vitória da Conquista mostrou que momentos como esse, mesmo que recheados de institucionalidade e temperado com burocracia, serve para um amadurecimento necessário da juventude ativista de Vitória da Conquista

Com um discurso surpreendente, o prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, abriu os trabalhos da 2ª Conferência Municipal da Juventude na última sexta-feira (21). A luta contra a redução da maioridade penal, o extermínio da juventude negra e a necessidade da regulação dos meios de comunicação brasileiros foram alguns dos temas mencionados pelo gestor.

Também discursou na abertura, o juiz da Vara da Infância e Juventude Juvino Henrique Brito. Em sua explanação, ele se posicionou sobre os temas ao mesmo lado do prefeito e elogiou as políticas públicas para a juventude na cidade. Dividiram ainda a mesa de abertura, o coordenador da Juventude Rudival Maturano, o vice-presidente do Conselho de Juventude Mateus Moura e Arielle Miranda, representante do Movimento das Jovens Mulheres da mesma entidade.

O dia seguinte foi reservado aos momentos principais da conferência: as reuniões de grupos de trabalho (GT’s) e a posterior votação de propostas. Segurança Pública, Comunicação, Saúde, Cultura, Educação e outros temas foram discutidos nesses espaços que também foram responsáveis por escolher delegados para a Conferência Territorial da Juventude, que acontece em setembro, também em Vitória da Conquista.

A equipe da Revista Gambiarra, representada por Ana Paula Marques e Rafael Flores, participou ativamente do espaço, afirmando o compromisso do veículo com o jornalismo, a cultura e o ativismo de Conquista. O objetivo foi participar das proposições a nível local e territorial, além de discutir temas relacionados à Comunicação.

Apesar da Regulação da Mídia, o Midialivrismo e a Educomunicação serem temas tão evidenciados na nossa área atualmente, infelizmente o GT de Comunicação foi, talvez, o espaço mais esvaziado da conferência. Inclusive, sem a importante participação de alguns movimentos sociais que atuam na cidade.

Quem se destacou neste espaço foram os membros da Associação de Surdos de Vitória da Conquista, que se juntaram a nós e a membros da gestão municipal. Assim, duas propostas foram encaminhadas para a etapa territorial: a primeira diz respeito a inserção obrigatória e remunerada de profissionais de Libras nos jornais locais e a segunda versa sobre a criação de um Observatório da Comunicação, objetivando vigiar os desrespeitos aos direitos humanos nos veículos locais e mapear iniciativas de educomunicação e mídia livre na cidade.

A Associação de Surdos foi a única organização que conseguiu estar em todos os espaços de discussão da conferência, aprovando pelo menos uma proposta em cada eixo temático. Acredito e espero, principalmente para os movimentos de juventude mais tradicionais e monotemáticos, que essa convivência tenha sido uma troca incrível.

O diálogo entre a juventude dos movimentos e o Capitão da Polícia Militar Hildelrim Tomaz nas questões sobre segurança pública, talvez tenha sido um dos momentos chaves deste encontro. Situações como essa, mesmo que recheadas de institucionalidade e temperada com burocracia, serve para um amadurecimento necessário da juventude ativista de Vitória da Conquista.