Conquista está entre as oito cidades onde morrem mais jovens

A pesquisa também informa que jovens negros são ainda os mais vulneráveis, com risco três vezes maior de serem assassinados em comparação com adolescentes de cor branca

Dados apresentados na última quarta-feira (28), pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), coloca Vitória da Conquista como a oitava cidade que mais mata jovens no país. A pesquisa divulgada teve a participação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Observatório de Favelas e do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj).

O levantamento apontou cinco cidades baianas entre as 20 mais violentas para adolescentes em todo o Brasil. A cidade de Itabuna, no sul do estado, apresentou o pior índice de homicídios na adolescência no país, 17,11 para cada mil habitantes. Camaçari ficou em quinto lugar com 9,82; Vitória da Conquista está na oitava colocação com 8,7; Salvador em nono, com 8,32, e Feira de Santana ocupa a 13ª no país, com 6,79 assassinados para cada mil pessoas.

A pesquisa também informa que jovens negros são ainda os mais vulneráveis, com risco três vezes maior de serem assassinados em comparação com adolescentes brancos. Gary Stahl, representante do Unicef, afirmou que trata-se de uma “violação brutal e sistemática” dos direitos de crianças e adolescentes, especialmente negros que vivem nas periferias das cidades.

Em agosto de 2014, jovens saíram às ruas para pautar o genocídio da juventude negra em Vitória da Conquista. Na ocasião, mostraram, por exemplo, que morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil em 2012, em situações como homicídios, acidentes de trânsito ou suicídio. Entre 2002 e 2012, essa vitimização mais que duplicou, segundo o Mapa da Violência 2014.

O secretário nacional da Juventude, Gabriel Medina, ressaltou que os dados mostram que o caminho é o oposto do armamento da população e da redução da maioridade penal. Medina acrescentou ainda que  parte da sociedade encara os adolescentes como autores da violência, quando muitas vezes são as vítimas.

O Índice de Homicídios de Adolescentes no Brasil atingiu em 2012 o maior patamar de sua série histórica com a projeção de que, de cada mil adolescentes que tinham 12 anos em 2012, 3,32 vão morrer assassinados antes de completar 19 anos. Com esse IHA, o país perderia 42 mil adolescentes entre 2013 e 2019 vítimas de assassinato.