Com distribuição de PFF2/N95, Conquista pede “Fora Bolsonaro”

Organizado pelo Fórum Sindical e Popular, o protesto fez parte de uma mobilização nacional, com manifestações que ocorreram em todo o país neste último sábado (29).

Por Erick Gomes (em parceria com o site Avoador)

Na manhã do último sábado (29) foi realizado o ato público “Fora Bolsonaro” na Praça 9 de Novembro (também conhecida como Praça do Acarajé). Entre as principais reivindicações da manifestação estavam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, a ampliação da vacinação contra a Covid-19, a manutenção do auxílio emergencial no valor de R$600,00, o aumento de empregos e o fim do corte de investimentos nas universidades públicas. Iniciado às 9h da manhã, o protesto fez parte de uma mobilização nacional, em conjunto com atos que ocorreram no mesmo dia em outras cidades do país e do mundo.

Além de esclarecer a população sobre os posicionamentos do presidente durante o enfrentamento da pandemia do Novo Coronavírus, foram distribuídas no evento máscaras PFF2 e folders que destacam a importância de participar de movimentos populares contra o atual governo. O vereador Alexandre Xandó (PT) destaca a importância das organizações sociais e sindicatos, que organizaram a manifestação, no controle das medidas de proteção à Covid-19 durante o protesto.

“A gente fez uma vakinha antes, compramos máscaras, PFF2 e N95, que são as mais seguras, que estão sendo distribuídas, tem álcool gel sendo distribuído, tem sido buscado o tempo todo conscientizar as pessoas sobre o distanciamento e a importância da manifestação”, explicou Xandó. 

O ato contou com a presença de representantes de vários partidos, organizações sociais e sindicatos, que realizaram depoimentos na manifestação com o intuito de expor a sua indignação em relação à gestão do presidente e sua equipe de ministros. “Nós tivemos aqui sindicatos, movimentos sociais organizados, movimento de homens e mulheres negras, movimento sem terra, tivemos também a presença de coletivos feministas, LGBTs, negros. Essas representações são a expressão da massa da população que mais sofre com a pandemia”, comentou Márcia Lemos, professora de História da UESB.

Em algumas falas, foi lembrado que médicos de Conquista estavam receitando cloroquina para o tratamento de Covid-19, além da falta de doses para vacinação no município e da não realização de um lockdown eficiente para evitar a exposição dos conquistenses ao vírus.

Também foram destacados atos controversos da atual prefeita Sheila Lemos (DEM), como a homenagem ao ex-prefeito Herzem Gusmão no nome da Estação de Transbordo da Avenida Lauro de Freitas, que será inaugurada no dia 2 de junho, assim como o anúncio da retirada dos vendedores ambulantes dos entornos da localidade. Como resposta a essas medidas da gestão municipal, está marcada uma nova manifestação no mesmo dia da inauguração da Estação de Transbordo.

Keu Souza, que foi candidata a vereadora em 2020 (PSOL), comenta sobre a escolha de realizar a manifestação de forma fixa na Praça 9 de Novembro: “não dava pra fazer carreata por conta do valor de combustível, não dava pra fazer caminhada porque a gente tinha que minimamente garantir a segurança, então nós escolhemos estrategicamente este local por ser uma área extremamente comercial, com uma transição muito grande de pessoas”.

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Vitória da Conquista Isaac Bonfim afirma que a mobilização não se encerrará com essa manifestação. “Nós vamos continuar mobilizados, vamos continuar em um processo de disputa. Se a gente conseguir fazer um processo de construção, de fazer as pessoas saírem às ruas para protestar contra o governo Bolsonaro, eu não tenho dúvida que a gente consegue transformar o Brasil”, explica Isaac.

Roberto Silva de Oliveira, professor de História da UESB, destaca que a manifestação é importante como uma forma da esquerda mostrar para esse governo que não desapareceu. “Eu sei que para muitos fica difícil porque devemos evitar aglomerações, mas a gente fica numa sinuca de bico. Se a gente não for pra rua fica parecendo que a esquerda acabou, ou morreu, ou está compactuando com este governo”, defende Roberto. 

Entre as pautas defendidas pelo protesto está o fim dos cortes de investimentos nas universidades públicas, com a mobilização de estudantes que compareceram ao evento, após se concentrarem em outro ato simbólico nos portões da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Clarice Santana, estudante de Biotecnologia da UFBA e diretora administrativa no Centro Acadêmico de Biotecnologia, comenta que “o corte da UFBA foi de aproximadamente 20%, isso coloca a UFBA como se ela tivesse com o orçamento de 2010. Isso resulta no corte de bolsas de assistência e permanência estudantil e isso faz com que muitos alunos saiam da universidade”. Os alunos destacam o medo de que a universidade feche e a importância das atividades acadêmicas que são produzidas como retorno para a sociedade.

Veja as fotos do ato em Vitória da Conquista (BA)