Teago Oliveira (Maglore): “Acho que cheguei no som que eu gostaria”

Teago Oliveira conta sobre escolhas do novo álbum “Todas as Bandeiras”, mudanças de formação na Maglore e outras histórias

Cerca de duas mil pessoas ocuparam a praça Guadalajara em Vitória da Conquista no último fim de semana de setembro para assistir aos shows do projeto Caravana da Música. Um deles era o da baiana Maglore, que tem uma relação muito forte com a cidade (segundo a banda, foi a terceira onde eles mais tocaram em sua história).

Maglore no Caravana da Música / Foto: Rafael Flores

Com disco novo e quentinho debaixo do braço, a banda veio com mais uma mudança na formação: dessa vez, deixaram de ser trio e passaram a ser um quarteto. Lelo Brandão, integrante da primeira fase da banda retorna para a guitarra e para sintetizador e o mineiro Lucas Oliveira (Vitraux) chega para comandar o baixo. As baquetas continuam nas mãos de Felipe Dieder e Teago Oliveira mantém-se no vocal e na guitarra.

A formação lembra a banda em seus primeiros anos, quando batiam ponto no Viela Sebo Café ainda com o disco “Veroz” em gestação – mas os caminhos já os levaram para uma sonoridade muito distante disso. Sobre isso e outros assuntos, conversamos com Teago:

Revista Gambiarra: Da última vez que vocês passaram por aqui, em 2016, estavam se preparando para participar do festival americano SXSW. Como foi a experiência, valeu o esforço?

Teago Oliveira: Financeiramente foi um custo que a gente não se preparou muito pra ele, a gente sofreu muito, foi bem complicado fazer. A gente até fez um crowndfounding, mas foi muito em cima, faltando 20 dias pra viagem – então não deu muita coisa, assim, já ajudou, o que veio foi bem vindo. A gente não conseguiu fazer tanto contato, mas fizemos bastante rádio por lá e na realidade, acho que foi muito mais experiência de tá tocar fora. Tivemos a noção de que a música da gente funciona lá fora, por que a recepção do público acabou sendo melhor do que pra muita banda que tocou nos mesmo dias que a gente.

Foto: Rafael Flores

Não tô sendo arrogante, nem prepotente em dizer isso, mas antes da gente tocar as casas estavam vazias e no início do nosso show as casas ficavam completamente cheias. O primeiro palco que a gente tocou tinha uma janela atrás e ela dava pra rua principal do evento, então as pessoas quando ouviam começavam a entrar e a gente ficou muito feliz. Foi uma experiencia boa por que a gente sacou que se tiver o mínimo de organização e estrutura vira uma coisa legal, sabe? Óbvio que não existe nenhuma pretensão de ter uma carreira nos Estados Unidos, até por que a gente canta em português. Apesar da gente também ter quebrado esse mito lá, por que as pessoas se mostravam interessadas sem o idioma, quando a gente terminava o show as pessoas falavam ‘eu não tenho ideia do que você tava falando, mas parecia algo muito bonito’. Foi uma onda legal.

R.G: Essa viagem já foi com a formação nova?

T.O: Não, viajamos como trio, pois não deu tempo de tirar os documento para Lelão.

R.G: Mas o disco sim, certo? Fala um pouco sobre essa mudança na formação e no som que vocês quiseram apresentar nesse álbum

T.O: Sim, a gente gravou o disco em quarteto, Léo Marques gravou percussão, algumas pontas de guitarra e meio que co-assinou a produção com o Rafael Ramos. É uma Maglore que soa como a Maglore antiga, por que Lelo é da formação original e é o criador do som de guitarra da Maglore junto comigo. E é isso, Luquinhas tem uma identidade muito pórpria que tem muito a ver com o que a gente gosta, que é o baixo estacado, abafado, soando antigo, que a gente gosta de baixo velho. E a gente entrou numa vibe de vibrar na mesma sintonia com essa formação que me parece uma formação muito coesa, sabe-se lá quanto ela dure, mas de som e de energia, de pegar estrada e fazer show, é um momento bem massa que a gente tá.

Foto: Rafael Flores

R.G: Me parece que o “Veroz”, primeiro disco de vocês, vai naturalmente ficando muito atrás, por que o que vocês tem feito hoje já está muito distante sonoramente…

T.O: O disco fica pra trás por que a gente tá no quarto, então quando a gente faz show não tem como a gente priorizar o Veroz, por que ele é antigo, vai ficando por último, mas a gente coloca uma música ou duas da forma como a gente toca hoje. O primeiro disco da Maglore foi gravado quase sem formação ainda, ele não traduz verdadeiramente o que  a banda é, tinha um lance de ingenuidade nas canções também. Mas elas funcionaram na época né? O público catapultou a gente pra ser o que a gente é hoje, tem gente que não gosta mais da Maglore de hoje, que acha que mudou muito enfim, mas a gente não pode fazer nada por que a gente mudou mesmo. A gente não quer fazer aquele som de novo, a gente já fez e não se sente mais à vontade pra fazer um disco naqueles moldes ali. Tem outras pretensões, sabe? De música mesmo, de tirar som de uma forma diferente, o próximo disco já pode ser algo completamente diferente também.

R.G: O pontapé inicial da turnê foi na Bahia, com show no Teatro Castro Alves em Salvador e em praça pública em Vitória da Conquista. Como tá a expectativa pro restante?

T.O: A gente escolheu Salvador por que a gente tá morando em São Paulo há muito tempo, sempre tem essa tradição de lançar disco e fazer o primeiro show por lá mesmo. A gente escolheu Salvador por que é a casa da gente e a turnê começando aqui pela Bahia, Conquista é a cidade que a gente mais tocou tirando Salvador e São Paulo, então é um lugar que a gente deve também.

O Todas As Bandeiras é um disco que acabou de ser lançado, tem um mês, o público tá conhecendo agora as músicas. O público da Maglore gosta muito de cantar as músicas, né? E ainda é um disoc que a galera tá conhecendo, então a gente mescla com músicas do primeiro e do segundo, enfim tá sendo bem legal por que é bem difícil chegar ao quarto disco com uma banda independente, a estrada é longa, mas a gente támuito feliz, por que esse disco tem uma aprada que os outros não tem, tem um carinho que a gente não encontra tanto nos outros, eu principalmente acho que cheguei no som que eu gostaria, de estética mesmo, de linguagem musical.