Serei Sarau: alimento e resistência

Encontro intimista leva artistas independentes a trocarem vivências para programa no YouTube

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Sereia do Cerrado, cantora e compositora, saiu do centro-oeste brasileiro rumo ao litoral baiano para gestar o seu álbum “Navio Pirata”. Sua ideia é dividí-lo em três partes narrando sobre “colonização e colonização contemporânea”, abordando um território cada: Salvador, Costa da Invasão (Porto Seguro) e Goiás.

“Cada um tem uma yabá, que é como se fosse uma protetora que rege essas músicas. Em Salvador é Yemanjá, em Porto Segura é Oyá e em Goiás é Oxum”, explica.

Sereia do Cerrado | Foto: Rafael Flores

Para ambientar-se em terras soteropolitanas, a artista se uniu à Pequena Mari Produções e realizou a primeira edição do Serei Sarau, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. O projeto se apresenta como forma de “resgatar a verdadeira raíz dos saraus, que aconteciam nas casas de amigos no século XIX, movido pelo amor pela arte”.

As jam sessions, apesar de inicialmente para poucos convidados, são realizadas com o objetivo de tornarem-se parte de um programa no canal do Youtube de Sereia. “O trabalho autoral que todo mundo aqui apresenta é alimento e também resistência para mostrar que é possível a gente sobreviver através da nossa arte”, comentou.

Mayale Pitanga e José Macedo (Afrocidade) | Foto: Rafael Flores

 

José Macedo (MCD0), da cidade de Camaçari e integrante da banda Afrocidade – que vem ampliando seu espaço no cenário musical da Bahia, conta que o compartilhamento de vivências é importante para seguir trabalhando.”É importante o que ela [Sereia] tá fazendo ao materializar esse sarau e uma primeira edição do programa que vai pra internet. Trazer essa representatividade da gente que vem fazendo arte como um meio de unificação”, afirma.

Mayale Pitanga levou seu violão, suas experiências com os povos originários e suas canções para o sarau. “Foi muito gratificante ter a oportunidade de estar com pessoas que têm coisas pra dizer. É muito foda poder estar atuando nestes espaços, fazendo o que a gente mais acredita, que é a música de verdade, sem nenhum tipo de amarra. Estamos prontos para lidar com o que vem acontecendo com toda a classe artística do país”, afirmou o cantor e compositor Mayale Pitanga.

Veja mais fotos (por Rafael Flores):

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