Sem Firula: Formando opinião e calos nas mãos

O equilíbrio do corpo e da mente são as características do Parkour, tema da coluna Sem Firula da semana!

Deu para perceber que a Sem Firula deu uma paradinha né? Mas estamos de volta! 😀 É que às vezes é bom parar, refletir e equilibrar corpo e mente para continuar. E o equilíbrio, do corpo e da mente, é uma das características do Parkour, o tema da coluna de hoje.

Apesar da prática, às vezes, não ser caracterizada com esporte por não possuir competições, eu a defino assim porque acredito que o esporte vai muito além dessas competições. Sempre gostei de filmes de ação, mas, com certeza, foi o Parkour que me fez enxergá-los de uma maneira ainda mais especial. O primeiro que me chamou atenção com características fortes do esporte foi “B13 – 13º Distrito” e de lá pra cá sempre presto atenção pra ver se as técnicas que conheço são utilizadas.

Normalmente, os heróis e vilões das narrativas usam o Parkour como modo de perseguição ou fuga, mas, às vezes, os movimentos surgem como parte de uma luta. O personagem Roy Harper (Colton Haynes), da série de televisão americana Arrow, por exemplo, utiliza as técnicas para fugir em suas primeiras aparições, mas no decorrer da história, quando se torna o Arsenal, as insere também nas lutas.

Mas não pense que é só procurar um grupo de Parkour que você vai se tornar um super-herói. Na prática, para nós “mortais” é um pouco mais difícil… Foi por isso que na tentativa de sentir e conhecer mais o esporte, procurei o pessoal do grupo Parkour Conquista, que tem como lema “formando opinião e calos nas mãos”.

Logo de cara descobri que não foi à toa que o “B13” me chamou atenção para Parkour, é que o David Belle, o ator que interpreta um dos personagens principais do filme (Leïto), foi um dos desenvolvedores da técnica. Falando desenvolvedor, parece que se trata de um programa de computador, mas nomeio assim porque os movimentos utilizados pelos traceurs e traceuses (nome dado para homens e mulheres, respectivamente, que praticam o Parkour) já existem desde que o mundo é mundo. O que o Belle e alguns amigos fizeram foi desenvolver a prática e organizar do modo como é feito hoje.

Mas praticar Parkour não é só sair saltando de muros por aí? NÃO! O Parkour pode ser definido como uma arte de se deslocar com rapidez e precisão. Mas, nessa atividade física, o que chama atenção mesmo é a essência do aprendizado. O Parkour ajuda a desenvolver em seu praticante o autoconhecimento e autocontrole, acima de tudo, na minha opinião. Características que considero fundamentais para a vida.

Mas não é só isso. A ideia é vencer o medo, que vez ou outra se desperta dentro de nós, e aprende que tudo é possível com força, determinação e muito treino. Além de praticar isso para o Parkour, o bom é internalizar e levar a resistência, o raciocínio rápido, a observação e a força de vontade para o dia a dia.

O esporte começou a ser praticado aqui no Sertão da Ressaca em meados de 2006. Segundo Cristiano Martins, um dos integrantes do Parkour Conquista, nesta época, a cidade possuía dois grupos, um para cada lado da “Avenida Integração” ou Rio-Bahia (BR116). Os grupos se mantiveram assim até 2010, quando o esporte deu uma parada por aqui. Na verdade, o grande público que diminuiu porque a galera que fundou os grupos continuou treinando.

Mas foi a mais ou menos dois anos atrás que o grupo Parkour Conquista foi fundado da maneira como funciona atualmente, reunindo toda a cidade,  tendo como organizadores e instrutores Cristiano Martins, Eduardo Figueiredo (Dudu), Elvis Amaral, Gean Brezzy e Max Oliveira e como praticantes todos aqueles que chegarem nos treinos. Eles não se denominam professores porque não consideram que o Parkour possa ou precise ser ensinado, acreditam que os movimentos já são feitos por todo mundo e o que eles fazem é só ajudar no desenvolvimento e cuidados para minimizar os riscos.

Como você pôde perceber, não há nenhuma mulher listada acima, mas tem mulher praticando o Parkour em Vitória da Conquista. No treino que fui tinha uma, a Monique Soares, mas o Cristiano me contou que há outras que aparecem nos treinos. Na verdade, todo mundo pode participar deste esporte, independentemente das características físicas, desde que não haja nenhuma restrição médica. Isto quer dizer que não importa se você é homem, mulher, baixo, alto, magro, gordo ou se possui alguma deficiência física. As únicas exigências é que vá com roupas leves, com um tênis de boa aderência e que leve água, de resto você se adapta.

Se neste instante seu coraçãozinho se despertou para esta atividade física, os treinos do Parkour Conquista acontecem todos os sábados, das 15h00 às 18h00, em alguma praça da cidade. As mais utilizadas são: Praça do Boneco e Nossa Senhora dos Verdes (Bairro Brasil), Praça da Juventude (Guarani), Bosque Borel (Inocoop); além do Ginásio de Esportes Raul Ferraz (São Vicente). A ideia é facilitar a participação em vários cantos da cidade. Mais praças não são utilizadas por conta da conservação dos espaços, cabe ao poder público resolver isso pra nós (oremos!). Para saber em qual espaço será o treino da semana é só dá uma espiadinha na página do grupo no Facebook.

Se, por acaso, tiver dúvidas ou sugestões para a #SemFirula, basta entrar em contato através das redes sociais ou e-mail da Revista Gambiarra (gambiarrarevista@gmail.com), que terei o maior prazer em recebê-las. Lembre-se, terça-feira tem programa da Revista Gambiarra na Mega Rádio.FM, a partir das 20h, um bate-papo com informação, música e “zueira”. Abraço e até a próxima! 😉

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Foto: Parkour Conquista