Sem Firula: De esportista e louco todo mundo tem um pouco

Seguindo a linha de abordar também o que ocorre por fora das competições esportivas oficiais, Natália Silva fala sobre as políticas públicas que incentivam a prática esportiva no Brasil

Por Natália Silva*

Seguindo a linha de abordar também o que ocorre por fora das competições esportivas oficiais, nesta semana resolvi escrever sobre o que o Governo Federal faz para incentivar a prática esportiva no nosso amado Brasil. E não, eu não vou ficar falando de partido. A intenção aqui não é fazer política partidária, é falar sobre política pública de esporte. Eu acho que é um debate importante, porque se tivéssemos uma educação esportiva mais consolidada no país, todos enxergaríamos a prática como um fator social, político, econômico e, por fim, de entretenimento.

Dando um espiadinha no site do Ministério do Esporte, descobri que a pasta possui uma Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social. Dentro deste setor é que se encontram os dez programas de incentivo à prática esportiva promovidos pelo Estado. São eles: Segundo Tempo; Esporte da Escola; Recreio nas Férias; Esporte e Lazer da Cidade; Competições e Eventos de Esporte e Lazer; Jogos Indígenas; Rede Cedes; Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social; Pintando a Cidadania e Pintando a Liberdade.

Se eu for explicar todos os programas você vai passar um dia todo lendo esta coluna, então vou me ater apenas ao Programa de Esporte e Lazer da Cidade (Pelc). Mas em suma, todos eles tentam cumprir a meta de levar inclusão esportiva para todo o país. Escolhi o Pelc porque foi à execução dele que fiz a visitinha da semana, lá na minha querida Malhada de Pedras. Pois é, abandonei o universo conquistense nessa semana.

O Pelc foi lançado em 2003, segundo o Ministério do Esporte, com o intuito de promover a prática de atividades físicas, culturais e de lazer que envolve todas as faixas etárias e as pessoas portadoras de deficiência, estimular a convivência social, a formação de gestores e lideranças comunitárias, favorecer a pesquisa e a socialização do conhecimento, contribuindo para que o esporte e lazer sejam tratados como políticas e direitos de todos. O programa possui dois tipos de núcleos: o urbano e o para povos e comunidades tradicionais. Malhada de Pedras possui, além do urbano, dois núcleos em comunidades rurais, que contam com aulas de futebol, judô, jiu-jitsu, dança aeróbica, artesanato e recreação.

Fui à atividade de dança aeróbica do núcleo urbano. Esse estilo de dança não é considerado esportivo, mas é atividade física, então está valendo. Não participei ativamente, mas deu para sentir o clima do banco. A atividade só conta com a presença feminina, apesar de não ser uma obrigação imposta pelo programa. E é de impressionar a quantidade e a diversidade de pessoas participando. Altas, baixas, gordas, magras, de crianças a mulheres de meia idade, que tem aptidão para a dança ou não. O importante não é conseguir seguir a coreografia corretamente, o importante é se mexer, se exercitar, porque o exercício muda a qualidade de vida das pessoas. E é muito legal encontrar pessoas, que antes se entregavam ao sedentarismo, se divertindo com a atividade física. Afinal, modificando o ditado, de esportista e louco todo mundo tem um pouco.

11328082_830179903744668_149479559_o

Foto: Natália Silva

Para o Sertão da Ressaca não se sentir excluído, a título de informação aqui em Conquista é executado o Projeto Segundo Tempo. De acordo com o Ministério, essa iniciativa tem por objetivo democratizar o acesso à prática e à cultura do Esporte de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, como fator de formação da cidadania e melhoria da qualidade de vida, prioritariamente em áreas de vulnerabilidade social.

Ao ler os nomes e definições dos programas pode passar pela nossa cabeça que isso não tem importância nenhuma para a população, no geral, que só são palavras que visam angariar votos em eleições. Mas aí vem o fato de que eles nem são tão conhecidos assim, de modo que não dá para conseguir grande coisa política. Como não são conhecidos, podemos voltar à ideia de que não têm importância. É aí que mora o perigo. É nosso direito cobrar para que exista mais divulgação e todos os interessados possam participar. Se uma vida muda através de uma política pública, ela tem uma importância imensurável para o universo. Afinal, somos todos parte de uma rede.

Dúvidas ou sugestões é só entrar em contato através das redes sociais ou e-mail da Revista Gambiarra (gambiarrarevista@gmail.com). E não se esqueça, toda terça-feira, às 20h, tem programa da Revista Gambiarra na Mega Rádio.FM. Grande abraço e até a próxima!

*Natália Silva é jornalista, graduada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *