Sem Firula: A Tocha se foi, mas ainda podemos saber mais sobre ela

Natália Silva conta curiosidades sobre o revezamento da Tocha Olímpica, que está percorrendo todo o território brasileiro

Por Natália Silva

A Tocha Olímpica passou por Vitória da Conquista. Agora o sertão da ressaca ganhou o seu lugar na história dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Correu tudo bem? Nem tanto, eu diria. Correu tudo mal? Também não, longe disso. Mas fora os detalhes do ritual, conversas me chamaram a atenção durante todo o dia em que ele ocorreria.

Na rua, em lojas, no busão e até no meio do percusso, as pessoas faziam questionamentos que a movimentação em si não conseguiu solucionar. Então, resolvi escrever um pouquinho sobre isso e deixar as imagens que a Revista Gambiarra registrou desse momento histórico. Assim, quando nossa memória falhar, teremos onde recorrer! 😉

História

Para chegar linda e maravilhosa para o revezamento no Brasil, a Chama Olímpica foi acessa lá na Grécia. A tocha é um elemento remanescente das Olimpíadas da Antiguidade. Naquela época, quando os jogos só aconteciam na Grécia e com participação exclusivamente masculina, a tocha era usada para anunciar que os jogos ocorreriam, fazendo com que surgissem tréguas em meio às guerras. Além disso, os atletas campeões usavam a tocha para acender o fogo do altar de sacrifícios aos deuses.

A Chama

Na cerimônia desse ano de acendimento da chama, uma atriz grega interpretou uma sacerdotisa dos tempos antigos. Caracterizada assim, ela usou uma lente para refletir os raios de Sol e acendeu a chama em frente às ruínas do templo de Hera. O fogo foi levado para o Estádio Olímpico de Atenas, depois para Olímpia e de lá seguiu viagem em direção ao Brasil. Apesar de a gente ouvir o tempo todo falarem sobre o revezamento da tocha, não há revezamento da tocha. Quem é revezada é a chama. Cada condutor possui a sua tocha, ao fim do dia uma pira é acendida e de lá chamas são colhidas em uma lamparina que acenderá as tochas do dia seguinte.

As Viagens

Diz a tradição que essa chama não pode apagar, para isso vários cuidados são tomados por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em cada edição dos jogos, tecnologias são utilizadas para que a chama não se apague. Mas para garantir de fato que o ritual não será interrompido, uma chama reserva é acessa dias antes da oficial, do mesmo modo dela, para evitar contra-tempos no dia marcado. Além disso o fogo acendeu quatro lamparinas, super tecnológicas, que saíram da Grécia em direção ao Brasil. No encerramento da cerimônia, aqui no sertão da ressaca, tivemos a oportunidade de ver duas das lamparinas sendo acessas, uma iniciaria o percusso no dia seguinte e a outra permaneceria guardada, para o caso de qualquer eventualidade, como foi o caso da chuva em Salvador. As tochas também são um espécie de lampiões que aguentariam cerca de 15 horas com a chama acessa, sem troca de combustível. Assim fica garantido  que o fogo que acenderá a pira no Rio de Janeiro será o mesmo acesso na Grécia. É claro que se trocam de combustível, poderíamos dizer que não é o mesmo fogo… Mas isso é um detalhe que eu nem sei se eu sei explicar. Passamos de fase! Risos.

Pelo Mundo

Desde que essa história de revezamento começou em 1936, nas Olimpíadas de Berlim, a chama já foi revezada por 19 países, incluindo o desse ano. Se ocorre desde 36, como pode ser 19 países? É um questionamento válido. Mas acontece que em 1940 e 1944 os jogos foram cancelados por conta da Segunda Guerra Mundial. 😉

Pelo Brasil

Em terras tupiniquins, a chama passeará por todos os estados da federação. Ao todo serão 329 cidades visitadas entre os dias 03 de maio e 05 de agosto, quando a a pira será acessa no Estádio Olímpico, dando início a 31º edição de verão, do Jogos Olímpicos da Era Moderna. A chama olímpica será conduzida por 12 mil pessoas, ao todo, que foram selecionadas através de quatro campanhas organizadas pelo Comitê Rio 2016 e pelos patrocinadores oficiais do evento (Coca-Cola, Nissan e Bradesco). De acordo com o Comitê, o circuito foi definido levando em conta critérios logísticos, turísticos e culturais e os condutores levando em conta as suas histórias de vida e/ou suas ligações com o esporte.

Vitória da Conquista

Por aqui a chama olímpica foi revezada pelas mãos de 62 condutores, num percusso total de 13,7 quilômetros. A cerimônia de encerramento ocorreu no Complexo Cultural Glauber Rocha, onde o público esperava encontrar apresentações culturais, incluindo um show de encerramento. Nem tudo  ocorreu como previsto. O evento terminou mais cedo sem nenhuma explicação do poder público municipal, deixando uma mancha neste evento histórico para a cidade. Ainda sim, ficou de bom a emoção sentida por muitos ao saberem que aquele momento entraria na história de um evento tão importante para a humanidade.

Leia mais: COI tenta interferir em protesto realizado durante passagem da Tocha Olímpica em Conquista

Os Jogos

Os Jogos Olímpicos de Verão ocorerrão entre os dias 05 e 21 de agosto na cidade do Rio de Janeiro.  Mas nem todas as atividades do mega evento acontecerá por lá. O futebol terá mais cinco cidades como casa: Belo Horizonte, com o Mineirão; Brasília, com o Estádio Mané Garrincha; São Paulo, com a Arena Corinthians; Salvador, com a Arena Fonte Nova; e Manaus, com a Arena Amazônia.

Os Jogos Paraolímpicos, por sua vez, acontecerão entre os dias 07 e 18 de setembro, também na cidade do Rio de Janeiro.

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