Até onde vai a expansão do Universo Marvel no cinema?

O anúncio de que o arco da Guerra Civil será levado aos cinemas e as dezenas de projetos audiovisuais previstos até 2020 deixa a Marvel em condição privilegiada no universo  nerd

Por Juca Oliveira*

Quando fui convidado a escrever a coluna Seja Nerd da Gambiarra de Papel, nossa ideia inicial para a pauta era o mais-que-boato que estava rolando naquela semana, no início de outubro, sobre prováveis confabulações da produção da Marvel Studios que trariam consequências de uma escala empolgante e bombástica ao MCU (Marvel Cinematic Universe): o plot da Guerra Civil seria levado ao universo Marvel nas telonas, sendo introduzido na trama de Capitão América 3, em 2016.

Os rumores diziam que Robert Downey Jr. (nosso querido Tony Stark / Homem de Ferro, assumidamente o principal ícone e garoto-propaganda desde o início das produções do Marvel Studios) estava fechando acordo para um papel proeminente no roteiro de Capitão América 3, antagonizando o próprio Steve Rogers na grande partilha do extensivo panteão de heróis Marvel através da Lei de Registro de Super-Humanos, que é o argumento central do arco Guerra Civil.

Cena do arco Guerra Civil nos quadrinhos

Cena do arco Guerra Civil nos quadrinhos

Para os menos familiarizados com o plot deste aclamado evento Marvel Comics de 2006/2007: em resposta a um atentado trágico, é emitida a Lei de Registro de Super-Humanos, que dita que todas as identidades secretas de heróis mascarados devem ser reveladas e registradas perante o governo americano. A partir daí, todos os heróis que se negassem a fazê-lo seriam considerados inimigos do estado. Emerge então uma rixa entre o Capitão América, que lidera o lado anti-registro em defesa da liberdade e da confiança na responsabilidade moral dos justiceiros, e o Homem de Ferro, que lidera os heróis que apoiam a lei, alegando a garantia da ordem civil acima de tudo.

O que a Guerra Civil representa para o MCU é uma trama que potencialmente envolveria todos os personagens já canonizados no universo coeso que a casa das ideias vem trazendo ao cinema e à TV, e sabendo da iminência de séries na Netflix a partir de 2015 estrelando Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro, é fácil imaginar os conflitos no cinema trazendo consequências também para as séries novas (sem contar a atual série da S.H.I.E.L.D., que desde a segunda metade da primeira temporada vem encontrando seu lugar e conquistando nossa atenção à medida em que estabelece uma narrativa que se comunica diretamente com alguns eventos do MCU, mas mantendo sua própria trama interessante por si só).

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Charlie Cox como o “Demolidor” na nova série da Netflix/ Foto: Divulgação – Netflix

Essa narrativa dinâmica e coesa entre todos os filmes e todas as séries faz com que, para nós, fãs, estar em dia com o MCU se aproxime cada vez mais da sensação de estar estar colecionando ou acompanhando as histórias nos quadrinhos. É absolutamente notável que a Marvel tenha sido capaz de levar ao universo do cinema a densidade e a robustez que levou anos para construir no universo dos quadrinhos. Acho difícil conter a empolgação ao imaginar a potência gráfica de um grande embate entre os heróis nas telonas; até agora, o máximo que vimos no quesito ‘aliados quebrando o pau’ foi o perigo que o Hulk representa (mesmo para os Vingadores) quando se enfurece descontroladamente — ou seja: ver heróis que normalmente lutam lado a lado voltados uns contra os outros nessa escala é inédito para nós.

No entanto, a temperatura das ideias nas mentes maliciosas dos produtores da Marvel Studios estava prestes a se revelar muito mais quente do que pensávamos. Mal deu tempo de construir o hype e preparar o nerdgasmo imaginando cenas de pancadaria generalizada entre o Capitão América e o Homem de Ferro e suas galeras, pois na última semana de outubro a produção da Marvel Studios soltou a bomba:revelaram os NOVE próximos filmes da fase 3 do MCU, com datas de estreias já marcadas, distribuídas ao longo de 4 anos (maio de 2016 a maio de 2019) e incluindo novos personagens como Dr. Estranho, Capitão Marvel, Pantera Negra e até os Inumanos — além da grande revelação de que tudo culminará em Vingadores 3 dividido em parte 1 e parte 2, com o subtítulo Infinity War. Ou seja: teremos os Vingadores em guerra contra o titã louco, Thanos, pela Manopla do Infinito (um contexto que vem se desenvolvendo em background no MCU há alguns anos).

Todos os títulos dos filmes da Marvel até 2020

Todos os títulos dos filmes da Marvel até 2020

Tudo isso sem contar a confirmação das nossas suspeitas: Capitão América 3, a estrear em 6 de maio de 2016, terá o subtítulo Guerra Civil e estrelará, dentre outros, o Homem de Ferro, a Viúva Negra, o Soldado Invernal e o Pantera Negra (que aparecerá pela primeira vez nessa ocasião). Nessas horas a gente deseja que exista um sinal de pontuação para simbolizar uma tomada de fôlego ou uma quase-queda da cadeira.

Eu já sabia do poder que a Marvel Studios tinha de me surpreender, me empolgar, me fazer estar sempre olhando pro próximo ano com entusiasmo ao me imaginar sentado na poltrona do cinema na estreia do próximo grande título do MCU. O que eu não sabia era que ela tinha esse poder de me fazer saber exatamente o que estarei fazendo em datas específicas até daqui a CINCO anos. E, assim como as camadas de segredo que vão se revelando homeopaticamente quando mais um agente condecorado da S.H.I.E.L.D. revela ser, na verdade, um Skrull infiltrado há décadas implantando um takeover, estamos todos atentos para o que está cozinhando nas mentes do MCU: a fase 3 certamente é só a pontinha de um imenso e brilhante iceberg.

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*Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Gambiarra em dezembro de 2014

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