Seja Nerd: Game of Thrones, a hype e um desabafo

É só um desabafo enquanto o inverno chega

Por Paula Joane

Mais uma temporada de Game Of Thrones no ar e eu definitivamente desisti de acompanhar o pessoal de Westeros nessa. Calma! Não acho que a série tá ruim, muito menos me decepcionei. Só que desde 2012, quando a série ainda estava caminhando para a segunda Temporada eu fazia desafios pessoais de maratonas para chegar às próximas temporadas atualizadíssima. Mas os episódios se acumulavam ano após anos, e como se não bastasse eu também inclui no desafio, ler os livros. Tentei a primeira vez. Fui até o sétimo episódio da primeira temporada. Aí começou a season two. Então eu decidi ler o livro. Enquanto lia o livro, baguncei mentalmente tudo que tinha visto na série. Decidi recomeçar a série do zero para tentar fazer um paralelo. Cheguei de novo ao 7º episódio. Terminei o primeiro livro. Mas não terminei a série. Nisso, já estávamos na Quarta temporada. Eu não conseguia conciliar mais nada. Já sabia muita coisa o que estava acontecendo pelos burburinhos da internet. Perdi a empolgação. Mandei todo mundo se ferrar. Desisti.

Toda essa viagem, confusa e dramática que fiz foi para dizer “Não, não vi a estreia de Game Of Thrones, estou me sentindo solitária nesse mundo chamado internet. Será que estou sendo uma nerd errada?”.

Quando você faz parte de um grupo de interesses e há uma pauta que parece de gosto geral, não estar por dentro dela parece a coisa mais errada do mundo. Pior, no nosso mundo nerd é só falar “não gosto, não assisto” que logo chovem os fãs mais hater (odiadores) para perturbar, julgar, provocar. Parece que é uma missão de catequização: Vamos levar a palavra, se não quiserem, vão ouvir assim mesmo.

E é nesse contexto que acaba surgindo os lados. Ou as retaliações. Parece até discussão política nas redes. Ou você é de direita ou de esquerda. Ou você é do mainstream ou underground. Ou só odeia só porque é mainstream, ou gosta só porque é hipster.

Esses termos que estão em vigor no mundo das mídias e entretenimento. Vivo falando nos outros textos de seguir a “hype”, ou ser “mainstream”, então vou explicar. A hype seria a promoção de uma ideia ou produto. É aquilo que todos falam… “a onda”. E mainstream? Pode ser entendida como “modinha”, “cultura de massa”, literalmente traduzido como “corrente principal”, aquilo que todos gostam e segue o fluxo. Esses dois últimos sinônimos batem de frente com o underground ou hispter (muitas vezes empregados mais em contexto e cultura musical) aqueles que fogem do padrão comercial, a subcultura.  Outro exemplo ou paralelo que poderíamos fazer para exemplificar esse duelo seria “comercial x conceitual” e por aí vai…

Ou seja, Game Of Thrones virou um “hino” no meio das séries. Preciso ver. Ou preciso odiar, só porque todos gostam.

De uma forma, eu entendo os dois lados. Como falei, é muito difícil ficar de fora de uma onda, quando ela está em alta na sua bolha. Surge a curiosidade, saber se realmente o produto é tão bom que mereça atenção, e logo, você quer comentar como todos. Mas aí vem também aquele sentimentozinho de diferença; de ser único no meio dos iguais.   Então, porque gostar de algo que todos já gostam?

Gostaria apenas de fazer um adendo nessa discussão de “lados” que não é porque todas as produções que são “comerciais”, que elas não podem também ser “conceituais”. Eis que, no mundo das ideias e da indústria nada é tão puro e único que não possa se imbricar. Algo alternativo pode usar da massa para se divulgar. É meio que uma retroalimentação, um usa um pouquinho do outro para sobreviver. E não é porque é mainstream que não significa que não é bom. Game Of Thrones está aí para provar isso. E eu tenho que admitir mesmo não acompanhando mais.

Mas, voltando… O que quero dizer aqui realmente é que, diante de todos esses lados (mainstream x underground) e obrigações (gostar ou não gostar, assistir ou não assistir) o que deveria prevalecer é sua vontade, identificação com a produção e o quanto você se envolve com ela. Seja interagindo, contando os dias, procurando um amigo para dividir o calor da estreia (ou a tv a cabo dele). E para isso tudo não precisa ficar menosprezando outras sagas, irritando outros fãs, julgando sua pretensão de ver ou não de x coisa. Isso afasta mais do que aproxima. E ótimas produções tem capacidade suficiente de agregar apreciadores sem precisar de muito!

Mas calma! Não estou julgando só os fãs de GoT ou qualquer outro que gostam de levar a palavra de sua saga. Estou nos julgando também. Essa pressão que fazemos de nos enquadrar nos movimentos. Porque acabamos impelindo as exigências das tribos. Cobramos uma “devoção” que deveria ser uma diversão. Vamos gostar das coisas, por nós também. E sejamos justos com o quanto de vontade e fôlego você pode atribuir àquela demanda, sem que ela vire obrigação.

Com GoT, minha vontade foi meio que desgastada, então além de não me atrair tanto por temas medievais e cenas violentas pesadas– gostos à parte -, não fico tão tentada a buscar a série. Talvez, um dia mude? Talvez. Provavelmente daria outra chance? Provável.  Gostaria muito de me reapaixonar sem essa pressão que o fandom, eu e o mundo nerd criamos em cima dessa onda.

Mas por enquanto? Segue casamento vermelho (referência velha, ok.) e vamos curtir o que nos faz pular do trono, sem precisar duma espada no seu pescoço. Seja curtindo a Guerra dos Tronos, ou não. Simples.

OBS: O texto-desabafo vale para qualquer outra saga, série, game, HQ. GoT só entrou nos exemplos pelo calor frio do momento.

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