Banda Rovenda: “Vale muito mais a pena tocar no nordeste do que em São Paulo”

A Revista Gambiarra conversou com a Rovenda durante o Rockão Pós São João, no último sábado (27), no Teatro Carlos Jehovah. O papo girou em torno das plataforma de circulação como o TNB e das possibilidades de organização das bandas para melhor aproveitamento da cena local

Duas bandas de rock, um espacinho aconchegante e público sedento de música autoral. Foi assim o Rockão Pós São João, evento que colocou o Teatro Carlos Jehovah de volta a rota da cena roqueira independente de Vitória da Conquista.

Pisando em solos baianos pela primeira vez, foi a banda paulista Rovenda que incentivou o evento. O grupo tinha apresentação marcada no Domingo Alternativo de Poções no dia seguinte e aproveitou a data para uma mini turnê pelo sudoeste.

A Rovenda chegou à produção do evento por meio da plataforma online Toque No Brasil, estimuladas pela possibilidade de circular além das cidades próximas da capital paulista. Pela Internet, o vocalista Valter também conheceu a banda conquistense Dona Iracema, com quem escolheu dividir o palco na noite de 27 de junho.

A Revista Gambiarra conversou com a Rovenda antes dela se apresentar. O papo girou em torno das plataforma de circulação como o TNB e das possibilidades de organização das bandas para melhor aproveitamento da cena local.

Revista Gambiarra: Como vocês começaram?

Valter: A banda começou a gente era moleque ainda, eu já tocava cover e não tinha gostado, não queria tocar música dos outros, queria que as pessoas gostassem do que eu crio. Foi em julho de 2003 que a gente colocou o nome na banda, então contamos a partir daí. Eu sabia que Luis Fabiano tocava baixo e começamos a trabalhar as músicas e daí viemos galgando. Primeira vez na Bahia, já tocamos no Rio Grande do Sul, Rio de Janiero, interior de São Paulo, mas agora chegamos até a terra de todos os santos.

R.G.: E como chegaram até a plataforma TNB para tocar em Poções?

V.: A gente conhece o Fora do Eixo, que cirou o TNB, desde 2009 ou 2010. Tive o primeiro contato com eles através de um amigo de infância. Não existia ainda o suporte que tem hoje. Em 2012, a gente lançou o EP e fomos na Casa Fora do Eixo São Paulo e lá o pessoal nos deu a força para investir na plataforma, que a gente tinha criado o perfil mas não dava tanto valor. O TNB faz exatamente essa junção de produtores, bandas, então a gente entra no site, se cadastra na oportunidade e quem chama a gente vai, aí vimos o Domingo Alternativo de Poções e nos inscrevemos.

R.G.: Por que a escolha da Dona Iracema para esse evento aqui em Conquista?

V.: Dona Iracema e Rovenda são dois nomes de senhoras. Rovenda é o nome da inspetora de alunos da escola onde eu estudava e Dona Iracema é a mãe do baixista deles. Isso deu um quê especial pra essa data e pra esse encontro.

R.G.: Vocês ouviram falar que esse evento marca a volta do Teatro Carlos Jeovah ao rock conquistense?

V.: Pra nós vai ser um quêzinho a mais participar desse momento histórico que é a reabertura do espaço pro rock. Mas, po, falando da cena, vimos muitas bandas legais, como a Dost, por exemplo, achei muito boa. Social Freak muito boa também. O que eu ouvi, eu gostei. Acho que, tem público, o que precisa é o pessoal se mobilizar. O que a gente faz bastante por conta da falta de espaço pra tocar, a gente se organizou em coletivo, ocupando praças, como o Ocupa PL.

R.G: E qual foi a impressão de vocês sobre a cena local e o espaço?

V.: Achei muito bacana aqui o espaço do teatro, que é publico. É apertadinho, mas legal que tem aquele calor humano, acho que tem que fazer isso sempre. Tem bastante terreno aqui pra fazer festivais grandes. Vale muito mais a pena tocar no nordeste do que em São Paulo, como lá tem muita banda, o pessoal acaba dispersando. Pra cá o pessoa já é mais unido, já dão mais atenção, se preocupam em escutar as bandas que vão passar pela cidade, dão mais carinho pra bandas locais também.

Assista: Rovenda – BUM (2012)