Review: Duda Beat metralha hits próprios e continua acertando nos covers

Pernambucana lotou o Trapiche Barnabé enquanto o “cacau caía” em Salvador

Encerrando a Copa América no projeto Bud Basement, ação da cerveja Budweiser em algumas capitais, a pernambucana Duda Beat levou muita gente ao Trapiche Barnabé, na cidade baixa em Salvador, enquanto uma inesgotável chuva caía no último domingo, 7.

Duda Beat / Foto: Rafael Flores

Este foi o terceiro show que a Revista Gambiarra teve a oportunidade de experienciar. O primeiro rolou durante o festival Feira Noise em novembro passado, apenas seis meses após o lançamento do seu disco, em um show sem as irmãs backing vocals Camila e Luiza de Alexandre, que elevam o espetáculo tanto pelas vozes, quanto pela presença.

Foram cinco singles lançados desde então, chegando próximo da metade de “Sinto Muito” (2018), seu disco de lançamento que completou um ano em abril. O que impressiona é que, no público baiano pelo menos, todas as canções são entoadas na mesma intensidade pelo coro da multidão, como se fosse uma banda baile cantando os sucessos de um verão. Tudo que Duda Beat lançou, virou hit dentro deste espectro.

Até os covers e as versões presentes no setlist já são reconhecidas por seus fãs. Além da mais conhecida “Chapadinha na Praia” (versão de “High by the beach” de Lana Del Rey), Duda fez o público cantar em versão forró “Say You’ll Be There” das Spice Girls, grupo britânico o qual, pela média tirada de olho, o público presente não presenciou em tempos áureos de atividade.

Foto: Rafael Flores

A nova roupagem dada, pensada especialmente para o festival Cultura Inglesa em São Paulo, foi um forró eletrônico na pegada do Aviões, que também já apareceu nas escolhas de Duda, com a música “Se não valorizar” (versão Hebert Richards de “Umbrella”, de Rihana). Assim, ela tem conseguido imprimir uma identidade forte e ainda pontuar referências fora do óbvio, mesmo quando faz homenagens.

Em um ano e poucos meses e dezessete músicas na boca do povo, é visível a rápida escalada de Duda como um importante nome da nova geração da música brasileira. Acredito que isso acontece por que ela traz para o pop brasileiro, o que Marília Mendonça oferece ao sertanejo: boas músicas para dançar chorando ou sofrer rebolando a raba.