Retiros Autorais: Achiles,  Marx Eduardo e um público muito afim de ouvi-los

Confira como foi esese encontro fantástico pelo relato do vivente Raphael Lima

Por Raphael Lima

Em sua ultima edição, o projeto Retiros Autorais apresentou no tablado do Teatro Carlos Jehovah,  Achiles Neto e Marx Eduardo (Os Barcos) num encontro digno de quintal de casa pela unidade e interação formada entre palco e público. Com repertório intercalado de canções de ‘’Divino e Ateu’’, EP do cantor natural de Maracás, CAIM, Os Barcos, e composições inéditas de Marx, o encontro evidenciou sua proposta, reforçada por Achiles‘’[…] Hoje o Retiros é um projeto em que eu convido meus amigos e que recebo também artistas que querem tocar em Vitória da Conquista. A ideia é que o projeto continue com essa finalidade de receber outros tantos amigos que eu tenho pra vir e os artistas que estiverem dispostos a vir conhecer a cidade, conhecer o trabalho que a gente tem feito aqui. A gente também recebe todos de braços abertos.’’

O encontro foi também marcado pela volta de Marx Eduardo, aos palcos conquistenses ‘’ A banda (Os Barcos) teve um hiato. Eu tive que sair de Conquista e aí nesse período a gente se separou. E depois que eu retornei, tive que fazer alguns trabalhos burocráticos, porque também sou psicólogo etc. Aí agora em 2017 que eu tô retomando, mas ainda sem Os Barcos, oficialmente. […] Tô com um repertório novo que dá pra fazer um disco, então a gente tá começando agora a retomar.’’

 

Indicado em 2 categorias (Intérprete Masculino e Intérprete Vocal Masculino) no Prêmio Caymmi de Música, Achiles fala um pouco sobre o alcance da sua música e seu trabalho para fazê-lo chegar às pessoas: ‘’Cara, eu não vou mentir pra você que durante muito tempo direcionei muito a minha relação com meu trabalho no quesito produção, de poder levar isso ao maior número de pessoas possível e aproveitar os canais e as oportunidades que eu tivesse pra evacuar esse trabalho. Hoje, eu quero apenas fazer. E se a música chegar em algum lugar para as pessoas, que bom, vai ser muito positivo. Mas eu acho que a partir da minha relação com artistas que estão em outros lugares do país […], eu percebo que o maior triunfo que cada um desses artistas tem é a relação deles com o público que escuta. […] Hoje eu quero cantar apenas para as pessoas que estejam afim de me ouvir. E se o trabalho chegar em outros lugares, eu vou sentir a mesma coisa que já sinto aqui, que é essa vibração massa no palco, esse retorno que as pessoas têm comigo.’’

E falando de Conquista, é fato que ainda há espaço para pulverizar esse trabalho e novos ouvidos para alcançar. O público no Carlos Jehovah misturou amigos, velhos conhecedores do trabalho de Achiles, mas também gente nova e curiosa por um relance desse trabalho. Como observa Marx (o Eduardo, calma.) ‘’[…] Tá surgindo tanta gente boa aqui, bicho. Tanta gente compondo música, uma molecada, uma coroada. Então assim, agora tá tendo muito coisa boa. A cena, falando de Conquista, é uma cena forte. Eu me sinto inclusive, abraçado. O carinho que as pessoas – os músicos, o público – têm aqui comigo por conta desssa memória d’Os Barcos é impressionante. ‘’