Rafaele Libório: “a comunicação é a chave para valorização e incentivo da cultura”

A publicitária e produtora de Salvador nos conta sobre seu projeto Roda Cultural, que surgiu como agenda e neste sábado,5, transforma-se em festival

“Salvador não tem nada acontecendo”. Esta parece ser uma frase absurda (e é), mas foi  ouvindo-a com frequência que a publicitária e produtora Rafaele Libório resolveu criar a conta @rodaculturaloficial, primeiro no Facebook, depois no Instagram.

Durante quatro anos, Rafaele vem destacando eventos das mais variadas vertentes em uma agenda cultural de domingo a domingo. Em plena terça-feira, por exemplo, é possível encontrar por lá uma extensa programação de teatro, cinema, música e artes plásticas.

Além de apontar os rolês da cidade, o Roda Cultural começou a produzir os próprios. Em julho, por exemplo, reuniu 7 artistas visuais baianos para uma exposição coletiva e conseguiu agregar um bom público.

“Isso só me confirmou que o público tem sim interesse em participar dos eventos, a ocupar os espaço, a consumir arte, mas não tem acesso à informação”, conta.

O próximo passo do projeto é a realização de um festival: o “Aquecimento Roda Cultural” no próximo sábado, 5, no Largo Pedro Arcanjo no Pelourinho, em Salvador. Ana Barroso, Sérgio Akueran, Zuhri, Balostrada e DJ Sica são as atrações escolhidas para a primeira edição.

Em entrevista com a Revista Gambiarra, Rafaele Libório nos conta mais detalhes do projeto e da sua visão sobre a cena cultural soteropolitana.

R.G: Como exatamente surgiu o projeto do Roda Cultural?

Rafaele Libório: Eu moro no centro da cidade, então sempre tive muito acesso à cena alternativa de Salvador, sempre conheci a galera dos rolés e sempre soube o que estava rolando. Não entendia quem falava (e fala) que em Salvador não tem nada acontecendo ou não tem nada que preste. Me perguntava porquê as informações chegavam com facilidade pra mim e para outras pessoas não. Então, resolvi criar o Roda Cultural em 07/07/2015, fazendo agendas culturais diárias da cena alternativa de música, teatro, cinema e exposição. Assim. solucionando o problema de comunicação entre o público e os artistas, eventos e espaços culturais.

R.G: A partir da agenda cultural, qual a visão que você tem da cena de Salvador hoje?

R.L: Rapaz, a cena cultural de Salvador é extremamente rica. Onde você for, vai ter alguma coisa massa acontecendo, todo dia tem evento rolando e muitos são gratuitos. Temos uma variedade enorme de artistas que passeiam por ritmos musicais diferentes, espetáculos, exposições, filmes com temáticas interessantes que precisam ser discutidas. Não é a toa que os turistas vêm para Salvador e ficam maravilhados, achando que aqui é o paraíso. Gente de fora reconhece e valoriza nossa cultura, por que nós nativos não valorizamos também? Qual é o problema? É falta de informação? Falta de interesse? Realizei há pouco tempo uma exposição com 7 artistas de diferentes vertentes da arte, num sábado a noite e a galera foi, estiveram presentes. Isso só me confirmou que o público tem sim interesse em participar dos eventos, a ocupar os espaço, a consumir arte, mas não tem acesso à informação. Então venho tentar resolver todos estes problemas com o Roda Cultural. Até porque, se eu não acreditasse que todas essas problemáticas têm solução, não estaria fazendo este projeto há 4 anos. Por todo esse tempo, fiz o Roda Cultural sozinha, só agora tenho ajuda de outras pessoas, principalmente de Ana GB, para concretizar tudo que pretendo fazer com o projeto. Então, acredito muito na arte de Salvador, que a comunicação é a chave para valorização e incentivo da cultura.

R.G: Por que realizar um festival?

Porque quero que as pessoas conheçam os artistas e frequentem os espaços culturais, saindo da plataforma digital (Instagram), do Roda Cultural. Quero levar informação para o público e o público para a rua. A cena alternativa de Salvador precisa de união para se fortalecer e isso só será feita ao vivo, com corpo presente, os artistas se conhecendo, o público conhecendo os artistas e se conhecendo. Acredito que só assim, cresceremos JUNTOS. Espero que o Roda Cultural seja um impulsionador de projetos, que artistas se conheçam e criem em conjunto. Quero mostrar neste festival que temos muitos artistas fazendo trabalhos incríveis, que só precisam de reconhecimento para crescer e principalmente, não desistir.

R.G: E as atrações, como foram pensadas e escolhidas?

R.L: Primeiro pensamos nas bandas que tem trabalhos massas, que gostamos dos shows e que sejam interessantes para apresentar a um público diverso. Optamos por atrações com ritmos diferentes entre si, no Festival do Roda Cultural vai ter forró, samba, jazz, rap, axé, rock e etc. Para enfatizar que temos uma variedade muito boa de artistas, que só precisam de reconhecimento. Segundo, que o Roda Cultural surgiu e vive numa plataforma digital, antes era no Facebook e depois parti para o Instagram. Então, nada mais coerente que escolher bandas que tenham um apelo nas redes sociais.