Rafa Dias (ÀTTØØXXÁ): “A música eletrônica hoje é o que liga o mundo”

O DJ apresenta o projeto ÀTTØØXXÁ neste sábado (15), na festa Boom Bass, no Janela Cajaíba Bar, a partir das 22h

Misturando arrocha e pagode baiano com música eletrônica, o ÀTTØØXXÁ ganhou as pistas de Salvador, do interior baiano e até mesmo de outras cidades nordestinas. O projeto, definido como “a personificação de buquê de coquetel molotov”, surge em uma fase fértil para o gênero Bass Music na Bahia, com nomes de destaque como Lord Breu, Loro Voodoo e Mauro Telefunksoul.

Os elementos da música baiana são, inclusive, peças chaves nas produções do gênero no estado, através de samples e loops orgânicos, na criação, re-criação e reprodução sintética através de softwares, sintetizadores e baterias eletrônicas, ou com vocais (sampleados ou cantados) e trechos de músicas características da Bahia, como parte mais expressiva da produção.

Rafa Dias, músico por trás do ÀTTØØXXÁ, utiliza letras de autoria própria nas composições do projeto, que exploram, principalmente, o arrocha. As referências, segundo ele, vem de sons como do Skrillex, Major Laser, DJs do Pará até de sua ligação forte com os sons baianos, desde a sua infância, em Paulo Afonso. “A música eletrônica hoje é o que liga o mundo”, acredita.

Dias compôs ainda em 2012, juntamente com Mahal Pita, o projeto A.MA.SSA (A massa ama Salvador) e a banda Braunation, que circularam entre a cena popular e eletrônica com o que eles mesmos batizaram de Salvador Ghetto Bass, misturando, dentre outros ritmos baianos, o pagodão, o arrocha e elementos de ijexá. “A.MA.SSA surgiu com a ideia de reunir pagode baiano e música eletrônica. Essa projeto surgiu de uma outro processo de uma banda chamada Braunation, da qual eu fazia parte. O projeto acabou e com meio mundo de coisa pra fazer, ainda, resolvemos aproveitar o tempo para produzir”, conta. “O ÀTTØØXXÁ saiu mais d’Os Nelsons, outra banda da qual faço parte. Quando eu comecei o projeto a gente estava fazendo o EP d’Os Nelsons, lançado digitalmente no ano passado. Eu havia começado a estudar vários ritmos e comecei a trampar com os caras. Desde então surgiram ideias por aqui e por ali”.

O trabalho com Os Nelsons, por sua vez, explora a pisadinha, ritmo que explodiu na Bahia em meados de 2007, com os famosos refrões do Bonde do Maluco. “Hoje eu não me prendo só no arrocha, hoje eu faço tudo. O que tá na minha cabeça tem que sair pro universo”, explica Dias.

Ouça #Gravidade – Os Nelsons (2014):

Para ele, trabalhar com tais ritmos populares não é uma escolha, acaba sendo uma questão natural. “Às vezes a gente observa, claro, o universo e as coisas que estão a nossa volta e desde sempre eu pensei que é uma coisa que já deveria existir há séculos”. O trabalho, que está nas principais plataformas digitais de música, já rendeu parcerias, como por exemplo, com a Timbalada, no início de 2015.

Perguntado sobre o significado do nome ÀTTØØXXÁ, Rafa Dias explica que ele vem de um gíria popular muito utilizada na região de Paulo Afonso “Lá no meu interior, quando as pessoas querem aumentar o som, eles dizem “Atoxa!”. Já o conceito visual, tem origem em sua filosofia particular sobre horas, datas e números.

Rafa Dias apresenta o ÀTTØØXXÁ neste sábado (15), na festa Boom Bass, no Janela Cajaíba Bar. Além dele, Loro Voodoo, Medman e o DJ Rodrigo Freire fazem parte da programação.