Por que você não deve anular seu voto neste 2° turno

Votar nulo/branco numa eleição em que o risco de retrocesso é tamanho é não ter coerência com os anseios de melhoria. É cometer um erro irreparável

Por Lucas Sampaio*

Insurgente inesperado nos últimos segundos de partida, o PSDB conseguiu levar o seu candidato Aécio Neves ao segundo turno com votação expressiva, contrariando os dois meses de pesquisas que indicavam Marina Silva como favorita ao embate com a atual presidente, Dilma. A inconstância de Marina em seus posicionamentos, a baixa da poeira furiosa da morte do ex-governador Eduardo Campos e o poder de oralidade no último debate televisionado pela Rede Globo tiveram parcela de influencia no resultado surpreendente do tucano.

Depois do massivo discurso da “Nova Política” e das dezenas de slogans sobre a necessidade de mudança, o velho FlaFlu da política nacional que se faz presente desde a eleição de 2002 se mantém firme com a disputa PT x PSDB. Para muitos, uma decisão terrível a ser tomada, uma continuidade aparentemente irrefreável, que suscita inclusive a possibilidade de votar nulo ou branco. De repente, esses pobres indecisos são expostos a duas opções que consideram inaceitáveis, corruptas, ineficientes, uma afronta.

Acontece, senhores, que é – como sempre – o que tem pra hoje. E tomar uma decisão entre um lado e o outro é mais do que oportuno, é preciso. Talvez, de fato, muitas semelhanças podem ser identificadas entre as duas gestões, os dois partidos, os dois candidatos. Mas basta um olhar mais inquieto e profundo e, sem pestanejar: água e vinho.

Os peessedebistas carregam as bandeiras tradicionais da repressão ostensiva em detrimento das políticas públicas que evitam a criação de agentes da violência urbana; passaram anos apelidando os programas sociais do governo Lula/Dilma de “Bolsa Esmola” e hoje possuem em seu programa de governo o indicativo de ampliação desses benefícios. Diante dos casos de corrupção que assolam a Era PT desde o início da gestão lulista, promoveram nessas últimas eleições o debate do “Quem roubou mais?”, apontando os escândalos petistas como escudo para seus muitos casos vexatórios de improbidade administrativa, como o mensalão mineiro (ciceroneado por Eduardo Azeredo), os cartéis do metrô em SP, ou a privataria tucana.

Ademais, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira ao cargo de Presidente da República não é ninguém menos que o boa praça Aécio Neves, neto de um dos políticos mais importantes do país no final do século passado, 92% de aprovação em seu governo mineiro, que sonha com um Brasil mais justo. Com tanta polidez em seu discurso, quem aqui vai se importar com o fato do candidato já ter construído aeroporto com dinheiro público em terrenos de sua família, ter tido sua habilitação apreendida em blitz da Lei Seca, ou ter sido acusado por duas namoradas de agressão física. Menos ainda com os famosos 92% de aprovação não terem revertido em vitória em seu próprio estado (Dilma venceu em Minas e o candidato de Aécio ao governo do estado perdeu para o petista Fernando Pimentel já em primeiro turno).

Colhendo desesperadamente ações do passado para dar um tom positivo ao projeto econômico de governo, a campanha tucana tem Fernando Henrique Cardoso como – acreditem – um grande trunfo. Sem delongas, imputam ao ex-presidente todos os avanços sociais e econômicos conquistados pelo governo Lula. Reforçando a ideologia elitista e desonesta do antipetismo, impregnam em suas campanhas a ideia de que só tem corrupção em um partido. Não é o que dizem os dados da Justiça Eleitoral, que em 2012 divulgou o ranking dos partidos mais barrados pela Lei Ficha Limpa. Adivinhem quem figurava em primeiro lugar?

Por tudo isso, votar nulo/branco numa eleição em que o risco de retrocesso é tamanho é não ter coerência com os anseios de melhoria. É cometer um erro irreparável. O pedido final do colunista que vos fala não é “votem Dilma”. O pedido é: informem-se. Ok, no final dá no mesmo.

*Lucas Sampaio é Advogado e Bacharel em Direito pela Faculdade Independente do Nordeste.