Para driblar prejuízo do Fies, FTC cria financiamento próprio

Depois que estudantes enfrentaram problemas com as novas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a instituição privada investe agora em alternativas para atender os alunos

Instituições privadas de Vitória da Conquista correm contra o tempo para evitar a evasão dos alunos que não conseguiram se inscrever no  Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do governo federal. A Faculdade Santo Agostinho (Fasa) junta os papéis para contestar o Ministério da Educação e a Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC)  apresenta um programa de financiamento próprio.

Para se adaptar às novas regras do Fies, que restringem o número de vagas e exigem um desempenho mínimo no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 450 pontos nas provas objetivas e nota maior do que zero na redação, o sistema para solicitação do programa ficou fora do ar nas primeiras semanas do ano. Essa reforma somada ao grande fluxo gerou travas no sistema e prejudicou o cadastramento dos alunos interessados no financiamento, os quais não conseguiam ir além do passo 3 no processo. No Brasil, estima-se que mais de um milhão de alunos ficaram de fora.

Os alunos da Fasa, instituição que acabou de chegar à cidade com três cursos inaugurais (Engenharia Civil, Arquitetura e Medicina), se mobilizaram no final da semana passada para alertar a falta de diálogo com a instituição em relação aos problemas do Fies. A direção foi rápida e se posicionou junto à área jurídica, buscando um retorno do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) quanto a regularização do sistema sletivo do Fies.

A FTC também se juntou aos seus alunos na busca de uma solução e abriu uma ação na justiça contra o Ministério da Educação, anexando documentos, print screens das telas de inscrição do programa e mais de 260 assinaturas. A mais antiga instituição privada de ensino superior já possuía 52% do seu corpo discente optando pelo Fies e teve esse ano 760 novos pedidos.

Segundo o diretor Sérgio Magalhães, tanto a faculdade quanto os alunos foram pegos de surpresa com as mudanças anunciadas em fevereiro. “Não houve um tempo hábil para publicação dos editais de vestibular, nem para planejamento de propagandas feitas pelas instituições de ensino. Até o momento não existe uma portaria que regulamente o novo modo de funcionamento do fies”, afirmou.

A alternativa encontrada pela instituição mantenedora da FTC, a qual tem sede em Salvador, foi criar o programa CredFTC. Com ele, o estudante paga metade do seu curso e tem o tempo de duração do mesmo para pagar os outros 50%, tudo com antecipação em cheques. “Ou seja, quem começa o primeiro semestre agora tem até 2016 para pagar as mensalidades. Em um curso que começa agora em 2015 e encerra em 2019, o aluno tem até 2024 pra pagar”, explica Magalhães.

Segundo o diretor, alunos que possuem uma maior mobilidade financeira encontraram no CredFTC uma alternativa mais atraente do que o Fies, já que no primeiro não são cobrados juros. No entanto, a faculdade alerta que esse programa veio atender ,por enquanto, apenas os alunos que ficaram fora do Fies. “Para o semestre que vem, a FTC ainda não fez seu planejamento, porque ela precisa de resposta inclusive do governo para as várias ações que foram abertas”, conclui.

Na tarde desta segunda-feira, Sérgio esteve em reunião com Lucas Oliveira Rodrigues, estudante de medicina da Faculdade Santo Agostinho. O aluno levou à instituição concorrente a proposta de mobilização unificada, que foi vista com bons olhos pela FTC. “Acho importante que acha uma engajamento social (…), a gente faz vestibular em mais de 50 municípios e tem pessoas que largaram o emprego e mudaram de cidade contando com o Fies e ficaram na mão”, completa o diretor.