Pablo Capilé; “Produção cultural não é produção de arte exclusivamente”

Pablo Capilé fala sobre o alcance da Mídia Ninja e performance cultural do Fora do Eixo; “envolve um sentido antropológico muito maior que circuitos de arte”

Por Raphael Lima/ Foto: Vitor Moura

Aproveitando a passagem pela Bahia, para acompanhar o ato do movimento Diretas Já nas cidades de Salvador e Feira de Santana, a equipe do Mídia Ninja e Fora do Eixo fez escala nessa terça, 13, em Vitória da Conquista para promover um debate aberto sobre mídias livres, movimentos sociais e ações de fomento à representatividade progressista no caótico cenário político atual.

Em clima de sessão deliberativa informal, os Ninjas, ao lado de Gilmar Dantas (Coletivo Suíca Bahiana) e Rafael Flores (Suiça Bahiana e Revista Gambiarra), receberam  cerca de 70 ativistas, militantes e curiosos  no quintal da CazAzul Teatro Escola. Com o fundador dos coletivos, Pablo Capilé, traçando a trajetória das iniciativas e um panorama do contexto social, político e cultural brasileiro, contando com a intervenção dos conquistenses, que foi essencial para o sucesso da conversa.

Foto: Raísa Lima

Foto: Raísa Lima

O Mídia Ninja foi lançado à repercussão internacional ao transmitir de forma colaborativa e em tempo real os protestos de 2013. Desde então tem vivenciado e abordado jornalisticamente as agendas progressistas e as lutas  identitárias em todo o Brasil. Nesse recente circuito feito pela Bahia, Pablo reforça o compromisso do coletivo, que nasceu na cidade de  Cuiabá, em conectar pessoas circulando por todo o território nacional. Sobre os entraves técnicos em que essa proposta pode esbarrar, Pablo afirma “[…] é continuar conectando cidades distintas do Brasil inteiro e enfrentando as dificuldades que existem. Seja dificuldade logística, é distância, tem pouco recurso, sim. Mas é pra isso que a gente veio, pra conseguir dar suporte pra que as pessoas tenham cada vez mais coragem de enfrentar essas dificuldades.” Destacando sempre a missão do coletivo em incentivar o surgimento de novos canais, novos grupos e iniciativas como a do Fora do Eixo para o aperfeiçoamento da inteligência coletiva.

À restrição do território coberto pelo Mídia Ninja regularmente, nos grandes centros, capitais e especialmente o eixo Rio – São Paulo, Capilé explica o processo de alcance à luz do que fazia o Fora do Eixo com os artistas “É parte do processo. As bandas também, elas eram restritas mais a São Paulo do que a qualquer lugar, de repente você cria um circuito nacional inteiro e começa a dar visibilidade para artistas que não tinham visibilidade […] Tudo tá ligado a como você junta forças pra dar mais visibilidade àquilo que é invisível. É ter paciência evolucionária pra conectar o maior número possível de pessoas e ajudar essas pessoas a acreditarem que é possível[…]”.

Questionado sobre a performance direta do Fora do Eixo como produtor cultural, como nós conquistenses o conhecemos -promovendo o intercâmbio de artistas através do coletivo e tornando-os mais acessíveis -,  o fundador do Coletivo esclarece que a atuação cresceu para além da promoção artística  “A produção cultural ela não é produção de arte exclusivamente, ela envolve um sentido antropológico muito maior do que circuitos de arte. Então o Fora do Eixo, quando ele tem um amplo diálogo com os indígenas, com os Sem Teto, com os Sem Terra, quando ele forma uma comunidade ampla aí ele disputa as agendas identitárias – o feminismo, o movimento negro, a guerra às drogas, a luta contra o extermínio da juventude negra, uma democracia participativa e aberta –, tudo isso é cultural”. Posto em voga o amadurecimento da proposta do coletivo, Capilé reforça a Mídia Ninja como  “extensão do crescimento do Fora do Eixo[…] e sua capacidade de se multiplicar em mil  iniciativas que continuam em alta performance”.

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