O prematuro fim da Casa do Rock

A Casa do Rock funcionava em uma área residencial e os vizinhos passaram a se incomodar com o barulho

Menos de sete meses após o início das suas atividades, a Casa do Rock já está fechando as suas portas, espaço que além de funcionar como bar serviu de palco para os shows de várias bandas importantes de Vitória da Conquista. Passaram por lá nomes como Dona Iracema, Ladrões de Vinil, Cama de Jornal, Dost e Hendrix Armorial, além de alguns grupos de fora como a Scambo e Os Jonsóns.

O grande motivo para o fechamento é sua localização. A Casa do Rock funcionava em uma área residencial e os vizinhos passaram a se incomodar com o barulho. “Geralmente os shows começavam tarde e se estendiam ao longo da noite. Nada que excedesse os horários permitidos pela lei, mas os vizinhos reclamavam, chega a um ponto em que você não consegue mais manter aquilo”, explica Fábio Novais, um dos donos do empreendimento. “A gente não pode manter um negócio sabendo que tem pessoas que estão sendo incomodadas. Porque a gente se põe no lugar delas”.

Dessa forma, o panorama de opções para quem curte e/ou faz parte da cena alternativa local fica ainda mais pobre. “Achei ruim demais”, opina Renno Siqueira, frontman da Signista, uma das várias bandas que se apresentaram na Casa do Rock. “É menos um lugar para divulgar nosso som. (…) Com certeza a cena alternativa sai perdendo com isso”.

De qualquer forma, o adeus à Casa do Rock não é necessariamente definitivo: há a intenção de reabrí-la futuramente em uma área comercial. Tudo depende de arranjar um bom lugar para isso. Então, por enquanto não existe uma data definida para o retorno. “Pode reabrir daqui a cinco ou seis meses, assim como pode reabrir daqui a três ou quatro anos. Porque a gente quer fazer um negócio bem feito para que não venha a fechar como aconteceu agora”, diz Fábio.

Nesta sexta, dia 31 de janeiro, a Casa do Rock se despede com um show de Loro Borges (Ladrões de Vinil) e convidados. Só que a despedida não vai poder ser tão rock ‘n’ roll, infelizmente. “A gente não pode fazer nada de uma dimensão maior, por conta da vizinhança”, explica Fábio. “Então a gente vai fazer um som abafado, acústico, baixinho mesmo, só para não deixar passar em branco”.

Orfãos?

O consolo para as bandas e fãs da produção independente da cidade é que o Viela Sebo-Café, que fechou em dezembro, retorna em fevereiro com nova sede na rua 13 de maio. O Bar Ice Drink, recém-inaugurado na praça João Gonçalves, também já começa a receber eventos do gênero.