A noite que a arrochadeira dominou o Festival de Inverno Bahia

A banda Trio da Huanna protagonizou um dos shows mais enérgicos dos 15 anos de festival

Foto: Edna Nolasco

A banda Trio da Huanna protagonizou um momento histórico na noite de ontem, 24, no Festival de Inverno Bahia (FIB), em Vitória da Conquista. Após o cancelamento de Iza, uma das atrações mais aguardadas desta edição, o grupo – que tocaria em um dos palcos alternativos do evento, foi escalado para uma substituição de última hora.

O assunto tornou-se um dos mais comentados do país no Twitter, tendo ficado na 10ª posição dos Trending Topics na madrugada de ontem. Foi a primeira vez que a “arrochadeira” teve espaço de destaque no evento, que está completando 15 anos em 2019.

“Mais cedo falamos que faríamos um grande show no palco alternativo para estar no principal ano que vem. Com toda humildade, Deus não esperou nem um ano, e estamos aqui. Alguns podem não estar satisfeitos, mas estamos felizes”, declarou Luizinho, vocalista do grupo. “A gente vive há 26 anos de música e é uma honra estar no palco principal do FIB. Eu amo vocês”, completou, se referindo ao grande público que acompanhou, eufórico, o show da banda baiana.

O Trio da Huanna é grande conhecido do público do interior. Naturais de Ubatã e residentes em Ibicaraí, cidades localizadas no sul da Bahia, o projeto surgiu em 2003 e logo conquistou fãs, carinhosamente chamados de “Nação Huanneira”, com o bordão “Aqui o Sistema é Bruto”. Atualmente, são atração principal de um dos maiores eventos juninos, o São João de Ibicuí.

Mas não foi por acaso. A sonoridade proposta pelos irmãos Neto, Luizinho e Lúcio é uma derivação do arrocha originado em meados de 2000, e que ganhou fortes representantes com repercussão a nível nacional, como Três na Palomba, Latitude 10, Ninjas do Arrocha e o próprio Trio da Huanna. Posteriormente, este gênero tomou outros caminhos musicais com a junção do arrocha, pagode, funk e brega, levando o título de “arrochadeira” ou mesmo “bregadeira”.

Os hits “Arrochadeira de Maluco”, “Puta Que Pariu” e “Vai na Fuleragem” foram o ponto alto da apresentação, com direito ao famoso passinho “Quadradinho do Arrocha”, dança característica do ritmo, puxada pelo público em diversos momentos do show.

Antes de se despedir do palco, o cantor Luizinho tirou a camisa e pediu para que o público fizesse o mesmo. Um multidão atendeu ao pedido do artista, que agradeceu o carinho.

Coincidentemente, a noite reservava uma outra novidade. Foi a primeira vez que o pagode baiano subiu ao palco do FIB, com o show do “gigante” Léo Santana. Sobre isto, ele, que é um importante representante do movimento, declarou que este foi um grande momento para dar voz aos ritmos genuinamente baianos. “Uma grandiosidade, uma sensação de dever cumprido. Este é um grande momento para a música da Bahia. Parabéns ao Trio da Huanna, que tem uma história aqui na região. Fico muito feliz em saber que esta edição teve ingressos lotados”, afirmou.