Morte e Vida Eleições

Lucas Sampaio faz uma análise da situação post mortem de Eduardo Campos, no atual cenário político das eleições

Por Lucas Sampaio*

Foi tanto fôlego e agilidade para reformular o cenário pré-eleitoral que nem parece que a tragédia causadora da morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi há uma semana. Rei morto, rei posto. O PSB já tem um nome substituto, o DATAFOLHA já tem os novos números das pesquisas, os partidos já exibem seus programas eleitorais a partir de hoje (19), as funções vitais da politicagem nacional seguem trabalhando. Segundo o opinativo popular e as intervenções jornalísticas dos especialistas, petistas e tucanos têm muito a perder com a confirmação da candidatura da detentora de 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais, Marina Silva, que já aparece em segundo lugar nas pesquisas de primeiro turno, empatando tecnicamente com o tremendão aeroportuário Aécio Neves. Ainda resta a confirmação de quem seria o vice da chapa do PSB, que já demonstra interesse na viúva de Campos, Renata.

Calor do momento? A resposta é sim. A cobertura massiva cravejada nas imagens televisivas do velório e do cortejo abarrotado de seguidores em Recife, na superexposição da família Campos, nos relatos de pânico dos moradores do bairro residencial em Santos onde ocorreu o acidente aéreo mostram-se cruciais influências para os números atuais divulgados na última segunda-feira (18). Momentos idos, semelhantes ao desastre recente, podem comprovar a cultura brasileira do voto emocional, como na morte de Clériston Andrade em 1982, em plena campanha para o governo da Bahia. Seu substituto, João Durval, venceu as eleições com a folga histórica de 60% dos votos. Resta saber se o PSB e Marina vão conseguir prolongar esse clamor até o dia do pleito.

Numa análise técnica da situação post mortem de Campos, Marina é sim a grande favorita das eleições de outubro. Ela aparece vitoriosa num cenário hipotético de segundo turno com a presidente Dilma Rousseff e o motivo todo mundo já conhece: Marina Silva agrupa os votos da galerinha asséptica do “Tudo menos PT”, seja tucano ou não. Tem ainda os votos de alguns movimentos sociais/ambientais, da classe intelectual, da juventude que foge da polarização hegemônica da política nacional. Já o nicho do tio Aécio não vai além da classe conservadora e permissiva, que passou despercebida pela década de 90 – ou nasceu depois dela – e acha mesmo que os avanços sociais e econômicos do governo Lula/Dilma não passam de apropriação indevida da obra de FHC. Pesquisas indicam que um avião cai toda vez que alguém usa esse argumento.

*Lucas Sampaio é Advogado e Bacharel em Direito pela Faculdade Independente do Nordeste.