Miranda: “35 de cerveja todo mundo dá, pra comprar seu disco não aparece um”

O produtor musical esteve em Vitória da Conquista participando do projeto Conversas Infinitas e iniciando as atividades da sexta edição do Grito Rock

Se o papo tivesse durado 12 horas, com absoluta certeza o foyer do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima ainda estaria lotado, atento e fazendo perguntas a Carlos Eduardo Miranda. O produtor musical esteve em Vitória da Conquista participando do projeto Conversas Infinitas e iniciando as atividades da sexta edição do Grito Rock.

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Miranda – além de jurado do Ídolos Astros e Qual é o seu talento?, trabalhou com nomes como Skank, O Rappa, Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre S.A., Gaby Amarantos, entre outros. A plateia foi formada essencialmente por músicos e entusiastas da música, o que tornou o fim da tarde desta quarta-feira em um misto de dicas para bandas independentes e histórias sobre a música brasileira recente.

O tema da consolidação de uma cena local foi tocado várias vezes durante as duas horas de conversa. Miranda foi um dos responsáveis pela visibilidade da música paraense para o país, a partir da década de 90 e com a realização do festival Terruá Pará. “(A cena) ficou riquíssima, pois conseguiu acreditar em si própria (..), a proposta era que um olhasse pro outro, era a variedade preservada e a unidade também”, conta.

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Miranda acrescenta ainda que a ponta de lança para alavancar uma cena seria o que chama de “herói local”, aquele que vai se destacar para fora da cidade. “Mas não adianta ter uma ponta de lança se não tem a lança inteira. Tem que ter algo depois, algo pra ser explorado, se não perde-se o interesse”, explica.

Ele lembra que cada cidade tem uma característica e que não é possível estabelecer um padrão, mas dá algumas dicas e entre as principais está a união. “Não adianta uma banda fazer uma movimentação do caralho, se as outras não frequentam o show, velho”, comenta.

Com a afirmação a identificação com a realidade local logo aparece e ao ouvir um comentário da plateia sobre a cobrança dos amigos e bandas parceiras em relação ao lançamento de um trabalho, o produtor musical é certeiro: “Quando te cobrarem pelo disco, diga que tá no carro e custa 35 paus. Pois 35 de cerveja todo mundo dá, pra comprar seu disco não aparece um”.

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A partir disso, surgem os comentários sobre a segmentação da cena por gêneros e as richas que naturalmente aparecem. “Mas a richa também faz parte, se souber bem aproveitar, você chama atenção com isso. A competição é importantíssima pra o crescimento (…) e ela inclui ideia, talento, pesquisa, treino, dedicação, tem que ter algo a mais para competir”, completa.

O mito de que o sucesso está em “estourar” para o país também é posto em cheque. Ao ser questionado sobre o baiano ter que ir para São Paulo para ter alguma repercussão nacional, Miranda solta: “nem todo mundo tem que fazer música para o país inteiro, tem gente que se só fizer música para sua comunidade, tá ótimo”.

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