Mídia Ninja e Fora do Eixo: um debate sobre a conjuntura política atual

A Cazazul Teatro Escola recebeu na última terça-feira (13), integrantes dos projetos Mídia Ninja e Fora do Eixo para um bate-papo com ativistas conquistenses

Por Julie Hevellyn/ Foto: Vitor Moura

No nosso conturbado cenário político atual, o debate acerca da conjuntura nacional e do que se pode fazer a respeito é cada vez mais necessário. Nesse contexto, aconteceu na noite da última terça (13) uma roda de conversa sobre o assunto, organizada pela Mídia Ninja e pelo Fora do Eixo, com a presença de Pablo Capilé, um dos fundadores das iniciativas, e de Gilmar Dantas (Coletivo Suiça Bahiana) e Rafael Flores (Coletivo Suíça Bahiana e Revista Gambiarra).

Para um público de cerca de 70 pessoas, reunido na CazAzul Teatro Escola , Capilé inicia a noite contando da trajetória e do surgimento do Fora do Eixo, que tem seu nascimento em Cuiabá, em 2002. Após falar das dificuldades enfrentadas, com o coletivo tendo prejuízo atrás de prejuízo durante anos, ele conta como foi o boom da Mídia Ninja, que começa em 2011 com a organização do evento Existe Amor em SP e culmina com a cobertura dos protestos acontecidos em junho de 2013.

Pablo Capilé e ativistas conquistenses na Cazazul / Foto: Vitor Moura

Pablo Capilé e ativistas conquistenses na Cazazul / Foto: Vitor Moura

O rapaz lembra que o grupo sofreu resistência por parte do campo progressista da cidade e, assim, foi impedido de organizar os atos das jornadas de junho.  Optaram então por narrar o que estava acontecendo: “De repente a gente faz uma transmissão ao vivo na paulista, através de um celular, e ela bate cem mil pessoas, e no outro dia estavam os grandes veículos falando do que era a Mídia Ninja”, conta.

O ponto central da discussão foi a conjuntura política atual e o papel que a mídia independente exerce nesse contexto. O coletivo defende a consolidação de veículos independentes ao redor do país, para se contrapor à mídia hegemônica e mostrar outras narrativas “Se a gente acreditar que é possível enfrentar esses vários desafios que estão colocados aí  [e trabalharmos] em rede, de forma colaborativa, solidária, entendendo a agenda da conquista de direitos, olhando pro outro do lado, e tendo capacidade de administrar os tempos de cada um, a possibilidade de a gente conseguir apresentar soluções pros problemas que estão colocados é muito grande”, afirma Capilé.

Foto: Vitor Moura

Foto: Mídia Ninja

Mas veículos independentes muitas vezes encontram dificuldades para se manter. Para a Mídia Ninja, a chave foi encontrar pessoas dispostas a dedicar seu tempo à causa e utilizar o tempo disponível para trabalhar da melhor forma possível “Quanto mais gente envolvida, mais você consegue inventar novas soluções para problemas que são antigos […] então trabalhar de forma associativa, criar uma rede de colaboração, montar o seu coletivo e dialogar com o maior número possível de pessoas já é meio caminho andado para você conseguir dar sustentabilidade para as ideias que você tem”, conta o ativista.

Outro ponto de extrema importância é a chamada economia narrativa: o ato de saber de fato contar sua história e se fazer entender, mostrar sua importância e, assim, fazer as pessoas compreenderem a necessidade da existência de veículos independentes, apoiando a causa e disponibilizando seu tempo em prol dela – afinal, tempo é a chave-mestra para a sustentabilidade de um veículo independente. “Quanto melhor você conta a sua história, mais gente se soma para viabilizar aquilo que você está fazendo”, explica Capilé.

Foto: Mídia Ninja

Foto: Mídia Ninja

Quanto ao cenário atual e à legitimidade da luta pelas diretas já, num contexto onde a descrença no sistema democrático brasileiro é forte, o ativista afirma que uma luta não inviabiliza a outra: é possível lutar pelas diretas e continuar buscando novas formas de articulação política que não dependam necessariamente das instituições estabelecidas atualmente. “A nossa crise de institucionalidade é tanta e é tremenda que todas as iniciativas possíveis de serem mobilizadas valem a pena”, completa.  

No momento, Pablo Capilé e outros membros da Mídia Ninja percorrem o país cobrindo os protestos pelas Diretas Já, tendo passado, na Bahia, por Salvador, Feira de Santana e por fim Conquista.

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