MCD0 (Afrocidade): “O palco é o nosso campo de batalha”

Destaque na música baiana independente, Afrocidade se apresenta pela primeira vez em Vitória da Conquista no próximo fim de semana

por Ana Paula Marques e Rafael Flores / Fotos: Coletivo Iso314

Natural de Camaçari, região metropolitana de Salvador, o Afrocidade é o combo perfeito do que a Bahia precisa ensinar ao Brasil: meteção de dança e discursos profundos. Ao ritmo de arrocha ou pagode baiano podemos escutar frases como “tanta criança na rua perdida na criminalidade, a esperança na vida bandida em busca de oportunidade”.

Foto: Coletivo Iso314

O grupo nasceu a partir do projeto Cidade do Saber, no qual o baterista e diretor musical Eric Mazzone atuou como arte-educador, mas logo a iniciativa se tornou independente. “Mentes inquietas que passeiam pela cidade absorvendo a essência das ruas, dos guetos, terreiros, de cada canto que traz consigo a verdade, a resistência. o swingue é a fusão”, é assim que o Afrocidade se define em sua página oficial no Facebook.

MCD0 e Russo Passapusso / Fotos: Coletivo Iso314

E foi a partir destes elementos, que ganharam força com a abertura de caminhos feitas por nomes como Baiana System e Attoxxa, que a banda foi criando sua própria cena. Com a festa “Afrobaile”, por exemplo, conseguiram agregar um público tanto na cidade natal quanto em Salvador.

E após passar por grandes festivais brasileiros, como o Radioca (Salvador) e o Coala (São Paulo), é hora do Afrocidade aterrissar no sertão baiano. Eles integram a grade da festa de encerramento da Semana Municipal de Direitos Humanos, que será realizada no dia 10 de novembro no Espaço Glauber Rocha, contará ainda com a presença das bandas Francisco El Hombre, Mulamba, Dona Iracema e Caim.

O prefeito de Vitória da Conquista Herzem Gusmão (PMDB) foi fiel apoiador do governo Temer (PMDB), a quem apelidou de “benção de Deus” e também simpatiza com o presidente Bolsonaro (PSL), tendo o recebido com uma bíblia na mão em inauguração de aeroporto. O primeiro retirou direitos do trabalhador com a Reforma Trabalhista e o segundo ataca os Direitos Humanos diariamente desde seus dias de Congresso Nacional.

Foto: Coletivo Iso314

Questionado sobre como será dialogar com este contexto, o vocalista MCD0 (José Macedo) conta que, apesar de não ter a vivência de Vitória da Conquista, continuará fazendo o que já fazem em sua cidade, que para ele “tem uma administração de extrema-direita, elitista e industrial”.

Sua expectativa é de que o grupo  consiga fazer deste momento de confraternização mais uma batalha travada. “O Afrocidade é um movimento político, é visceral, é espiritual, a gente traz a nossa ancestralidade, nossa herança e a música é a condutora pra nossa missão de guerra mesmo. O Afrocidade nasceu pra guerra”, explica.

“Quando a gente está no palco é o nosso front, nosso campo de batalha, quando a gente tá ali reunindo jovens pensantes nesse momento atual, nessa geração, essa juventude tá ali comungando com a gente, não tem essa divisão entre palco e pista, a gente tá ali em um campo de de aquilombamento, pra que essas ideias se unifiquem. Então é assim que vamos chegar em Conquista”, completa

 

A Semana Municipal de Direitos Humanos começa nesta segunda-feira e encerra no dia 10 de novembro com os shows já citados. Com o tema “Direitos e garantias”, o evento acontecerá em diversas localidades da cidade e contará com uma programação repleta de atrações culturais, palestras, oficinas e debates.

 

 

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