Rael conta coisas do seu imaginário para a Revista Gambiarra

Um dos maiores nomes do rap brasileiro contemporâneo se apresenta hoje (28) em prévia do Festival Suíça Bahiana em Vitória da Conquista, confira entrevista.

Hoje, sexta-feira (28), é dia de baile em Vitória da Conquista! Os rappers Rael, La Lunna e Supremo se unem aos DJ’s Guerrero e Sckenov na prévia do Festival Suíça Bahiana no espaço Janela Cajaíba a partir das 21h.

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Neste show, Rael apresenta a tour “Coisas do Meu Imaginário”, nome do aclamado álbum que rendeu ao músico o Prêmio da Música Brasileira de Melhor Cantor na categoria Pop/Rock/Reggae/Hip Hop/Funk em 2017 e, na sequência, a indicação ao Grammy Latino na categoria música urbana.

Acompanhado pelo DJ Soares, Rael tem o disco como base do repertório, mas a noite reserva muitas surpresas aos fãs, especialmente aos que o acompanham desde seus primeiros trabalhos.

Rael já pode ser considerado um veterano do rap nacional, sua carreira começou no grupo Pentágono, com quem gravou seu primeiro disco em 2005. Em 2010, o rapper lançou seu primeiro trabalho solo, “MP3 – Música Popular do 3º Mundo” quando ainda assinava como Rael da Rima.

Em 2013 lançou “Ainda bem que eu segui as batidas do meu coração”, que o destacou como letrista em músicas marcantes como “Ela me Faz” e “Diáspora”. Logo lançou o singna sequência lançou o single “O Hip Hop é foda”, baseada em “A Bossa Nova é Foda” de Caetano Veloso e que tornou-se em uma espécie de hino para o movimento.

Para o terceiro álbum de estúdio da carreira solo, Rael utilizou os muros da cidade de São Paulo para divulgas as novas faixas. Um dispositivo foi instalado em alguns pontos da cidade e bastava que as pessoas plugassem um fone de ouvido para ter acesso ao “Diversoficando”, que traz a parte 2 de “O Hip Hop é Foda”, “Ser Feliz” e a radiofônica “Envolvidão”.

 

Em 2016, lançou o disco “Coisas do Meu Imaginário” com produção de Daniel Ganjaman e participações especiais de Daniel Yorubá, Black Alien e Chico César. Expandindo a narrativa que criou nos discos anteriores, Rael apresenta aqui uma sequência primorosa de hits, entre eles “Rouxinol”, “Aurora Boreal” e “Minha Lei”.

Esta última ganhou um clipe emblemático com participação de Mano Brown, Criolo, Emicida, Projota, Rashid, DJ Marco, DJ Nyack, DJ Dan Dan, DJ Will, DJ Soares, DJ Kiko, Daniel Ganjaman, Rappin’ Hood e outros grandes nomes do rap no Brasil.

Atualmente, além de estar circulando com o disco mais recente da carreira solo, Rael lançou um projeto em conjunto com o amigo Emicida e a portuguesa Capicua e também um show em tributo à Vinicius de Moraes

Conversamos com o artista sobre algumas curiosidades a cerca do seu trabalho. Confira:

Revista Gambiarra: Você tem feito um show em que se debruça sobre a obra de Vinicius de Moraes e a ressignifica ao dar sua interpretação e interagindo com a sua própria obra. Como que foi mexer nesse ambiente, que é por muitos considerado intocável?

Rael: Olha, acho que eu nunca pensei nele como “intocável” porque Vinicius esteve sempre no meu repertório musical, desde a infância, na escola ouvindo “A Casa”, meu pai tocava algumas coisas também. Conforme fui crescendo, me aprofundei mais na obra dele, fiquei de cara com os Afro-sambas, apaixonado pelas músicas e admirando Vinicius ainda mais. Mas claro que quando surgiu a ideia de trazer para o meu universo, o grande desafio era por um lado não fazer apenas covers e sim releituras mesmo, e por outro não “estragar” a obra dele, não desrespeitá-la.

Acho que ter conhecido a Maria, filha dele, e ela ter curtido, contribuiu bastante [risos]. Sem querer cair no clichê, eu faço com muito carinho e de todo o coração, sabe, com a intenção de simplesmente reverenciá-lo, mostrar sua grandeza e como a obra dele ainda soa atual, acho que só por isso me atrevi.

R.G.: Falando ainda de ressignificação, em Coisas do Meu Imaginário você retomou um refrão da sua época no grupo Pentágono  (Do Senhor) e a transformou em “Quem Tem Fé”. Como foi esse processo e o quanto a participação de Chico César ajudou nisso?

Rael: É verdade. Eu tenho isso de achar que determinado verso de uma música cabe em outra, tem tudo a ver, e de vez em quando faço isso [risos], acho que essa não foi a primeira vez. Acho que foi meio instintivo, sabe, não foi programado retomar a “Do Senhor”, mas achei que tinha a ver na medida em que estava trabalhando na letra. Eu parti na verdade da história das avós, que é real, a branca e a preta, cada uma com sua religião, mas tudo aquilo convivendo junto com muito respeito. A gente vive tempos de tanta intolerância em vários níveis, um dia aquela memória me veio à cabeça. Eu gosto muito do Chico e queria que ele estivesse no disco. Achei que “Quem Tem Fé” tinha a ver, mostrei, ele topou, foi só alegria [risos].

R.G.: Seu mais recente disco de estúdio é o “Língua Franca” com Emicida e a portuguesa Capicua. Como foi transitar entre essas diferentes formas de expressão da língua portuguesa?

Rael: Foi bem interessante e me mostrou muitas possibilidades. O Emicida quando veio com a ideia do projeto já falava que a intenção era construir uma ponte musical entre Brasil e Portugal, da música de um transitar mais no outro, e o Língua Franca solidificou essa ideia na minha cabeça, faz todo o sentido. Eu nunca tinha pensado muito sobre isso. Precisamos conhecer mais profundamente a música dos nossos irmãos de Portugal e vice-versa.

R.G.:Nesta quinta-feira, um dia antes da sua apresentação em Vitória da Conquista, será realizada mais uma edição da Batalha Chapahalls, já tradicional na cidade. Uma das premiações será a entrada no seu show. Você tenta conhecer, ao menos superficialmente, o cenário hip-hop das cidades por onde passa? Se sim, qual a importância disso para quem está começando?

Rael: Olha, confesso que nem sempre consigo me aprofundar antes. Tem cidades por onde passo que minimamente conheço a cena, alguns nomes mais conhecidos etc. Mas o que sempre ocorre é que no show, no camarim, quando recebo os fãs, troco ideia com gente que faz a cena acontecer naquele local, ouço as histórias, guardo os discos que me dão.

R.G: Por fim, #EleNão?

Rael: #EleNão

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