Lula, Reforma Agrária e Temer: confira como foi a passagem de Stédile por Conquista

Em passagem por Vitória da Conquista, João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST, conversou com militantes

Um auditório lotado, repleto de bonés vermelhos, escutou atento e silencioso as palavras de João Pedro Stédile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Em pouco mais de uma hora e se valendo do bom humor e boa capacidade de síntese, o economista traçou um breve panorama da política brasileira recente.

Ao longo da palestra, chamou atenção o tom de crítica (ou auto-crítica) aos governos Lula e Dilma (PT), dos quais o MST foi base. A conciliação de classes, a aliança com o agronegócio e o não investimento na formação política do brasileiro foram os principais pontos abordados neste sentido.

“Por conta da conciliação com o Agronegócio a Reforma Agrária, por exemplo, andou muito pouco e à base na nossa pressão, nunca como uma política de governo. Mas agora com o governo Temer ela foi sepultada de vez”, comenta Stédile.

E é sobre o cenário do atual governo e bastidores do impeachment que o dirigente do MST se debruça mais. Ele cita por exemplo, algumas características, motivações e objetivos da derrubada da presidenta Dilma: apropriação dos bens naturais, privatização dos bens públicos e readequação dos nossos interesses aos interesses dos Estados Unidos são alguns deles.

Para contrapor o avanço dessas ações, Stédile injeta doses de ânimo aos militantes presentes, chamando para um enfrentamento real. “Se nós quisermos ser rigorosos e nos basearmos na dialética marxista temos que nos organizar, pois na luta de classes pra toda ação há uma contradição”, convoca.

Do meio ao fim da explanação, o tom é motivacional, inclinando para uma presença nas ruas e para as eleições de 2018. O ex-presidente Lula é citado a todo tempo como a única opção para a presidência, incondicionalmente. “Os movimentos devem estimular ao máximo as lutas de massa, acelerar o debate para um projeto de país. Mas só o Lula não resolve”, diz.

Ainda sobre isso, Stédile critica a possível candidatura de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e afirma que Lula seria o único candidato capaz de “transformar a eleição em luta de classes”. “Não é por que é bom, é por que ele (Lula) é um símbolo. Não é estratégia, é tática. Não no sentido ideológico, mas no sentido de acúmulo de forças”, defende.

Sobre os erros que o PT cometeu em suas gestões, Stédile relativiza, apontando para o fato de que Lula já esteja defendendo em público a convocação de uma Assembleia Constituinte. Segundo o próprio ex-presidente, o objetivo desta seria revogar medidas que retiram direitos dos trabalhadores, proposta por Michel Temer e aprovadas no Congresso.