“Greve geral visa tumultuar processo de recuperação do Brasil”, diz PMVC

Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista não vai computar falta, mas condena moralmente quem aderir à greve geral

A noite de ontem começou bacana no whatsapp: rodava com legendas felizes pelos grupos afora a fotografia de um ofício da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) destinado ao Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória da Conquista (Sinserv). Tal documento informava que os funcionários públicos não seriam punidos com falta – caso aderissem à greve geral marcada para a próxima sexta-feira (28).

Oficio

Ofício emitido pela Secretaria de Administração da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista

Uma felicidade que durou ínfimos segundos para os servidores, foi como achar um pote de sorvete e descobrir que na realidade ele guardava feijão congelado. Com medo de confundirem o ofício com uma adesão institucional à greve, a PMVC decidiu lançar uma desnecessária nota de esclarecimento e tirar o corpo fora (soa redundante, não?).

Quem em sã consciência iria pensar que um governo alinhado às políticas de Temer estava apoiando um movimento contrário? Repito que a nota foi desnecessária, já que o ofício apenas mostrava o cumprimento de uma lei, de um direito assegurado ao servidor público brasileiro desde 1989: “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”, diz o Artigo 1º da LEI Nº 7.783.

Pra quem a gestão municipal deve essa justificativa? Não me diga que é pra população conquistense, por que claramente um governo não deve pisar em ovos desta forma para garantir nossos direitos constitucionais. A nota em questão informa que houve uma reunião com o sindicato na última terça-feira (25), na qual foi questionada a respeito da cláusula 15ª do Termo de Negociação Salarial 2017, que também visa garantir a participação do servidor municipal em assembleias, eventos e demais programações realizadas pelo sindicato. 

Na ocasião, o Governo Municipal deixou claro que não estimula, não apoia e nem organiza movimentos; seu papel é gerenciar a cidade com um olhar de desenvolvimento para todos os munícipes”, diz a nota.

Bom, até aqui poderia ser apenas um deslize ou diferença de interpretação do jornalista que vos escreve – mas o restante do documento se dedica a acusar os adeptos da greve de “tumultuar o processo de recuperação do Brasil”, desrespeitando o livre direito à opinião e deixando claro o seu modus operandi.

“Cremos que as soluções para os problemas do país se darão a partir do trabalho e do compromisso com o contribuinte e cidadão.  Mobilizações como essa, que visam tumultuar o processo de recuperação do Brasil e de enfrentamento dos problemas depois de anos fantasiosos que quebraram o país, em nada contribuem para uma discussão séria sobre os rumos da nação e sobre as reformas emergenciais que precisamos para a retomada do desenvolvimento”.

Herzem Gusmão e equipe pedem que os funcionários públicos ignorem o desmonte dos direitos trabalhistas e apenas trabalhem para “reerguer o país”.  Ainda na mesmíssima nota, o governo municipal, também peemedebista, chupa os argumentos da primeira campanha publicitária de Temer, que por sua vez dialoga com máximas fascistas – como o “Trabalho Liberta”, usado em campos de concentração para ludibriar os judeus.

A orientação da comunicação da Prefeitura parece não ter saído da campanha eleitoral, quando tudo é motivo para falsas polarizações. Achamos importante a consciência pela luta de classes, mas não é preciso se entender como esquerda para perceber que decisões como as feitas ontem no Congresso Nacional são nocivas para o trabalhador brasileiro.

Leia aqui a nota na íntegra