Gravações de filme nacional ocupam as ruas de Conquista

Feira do Ceasa, Bosque da Paquera, bairro do Simão e Estádio Lomanto Júnior estão servindo de cenário para as crônicas de “Viva o Polvilho Brazyleyro”

Por Vagalume Assessoria

Quem andou pelas ruas de Vitória da Conquista nas duas últimas semanas pode ter se deparado com um grupo de jovens carregando dezenas de equipamentos de filmagem.  Na feira, nas casas de farinha do bairro Simão ou no Bosque da Paquera, lá estão eles criando as histórias de “Viva o Polvilho Brazyleyro”, longa-metragem que tem circulação prevista para todo o país através de mostras e festivais.

As produtoras pernambucanas O Risco e Luminária desembarcaram no início janeiro pelo sertão baiano e reuniram cerca de 30 pessoas para trabalharem com a realização do filme, entre elas profissionais conquistenses e de diversas partes do país. No elenco estão presentes nomes fortes da dramaturgia baiana como Gildásio Leite (Central do Brasil) e Danielle Rosa (Teatro Oficina).

Como a a ideia do filme é refletir sobre a expansão econômica regional, abordando a perspectiva do Ciclo do Polvilho e envolvendo e destacando o comércio de biscoitos na região, ele funcionará como um recorte do cotidiano da cidade.  “Não imaginaria que iria fazer esse personagem pois está fora do meu perfil, do realismo que faço, mas achei interessante porque é uma experiência para desenvolver como os seres humanos à nossa volta”, afirma Gildásio Leite, que viverá o produtor de mandioca Jorge.

Gildásio, que já participou de um filme com a mesma temática, dirigido por Tonis Lima (Gaguinho), ressalta ainda a importância de mostrar essa realidade tão presente em Conquista. ”O filme faz uma abordagem das pessoas que lidam com essa leva, que é um trabalho produtivo e que talvez a cidade não enxergou ainda. Mas eu acho que o pessoal que frequenta a feira sabe que Conquista está na primeira linha dos produtos derivados da farinha de mandioca”, completa.

Para arcar com todas as despesas de uma produção independente deste porte (que ainda é considerada de baixo orçamento), é preciso que pessoas ou empresas colaborem e foi aí que a equipe sentiu certa dificuldade. “A gente tem tido pouco apoio da cidade, estamos correndo atrás de parcerias em lojas, mas as pessoas ficam desconfiadas, não sei se acreditam na proposta. É uma cidade que inclusive tem um curso de Cinema, que deveria estar aberta, que vive de comércio e (o filme) é uma ótima vitrine para o circuito nacional”, desabafa o figurinista Tadeu Cajado.

Apesar de terem conseguido apoios relevantes da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) hospedagem e alimentação, o diretor Roberto Jaffier aponta para uma resistência dos empresários conquistenses com o projeto. “A gente consegue apenas pequenos apoios, seja uma xerox que a gente vai tirar para definir a ordem do dia, seja um almoço que a gente ganha. Para patrocínios maiores a galera não quer saber do que se trata, não abre as portas”, afirma.

Ciclo do Polvilho

A Bahia tem hoje terceira a maior produção de mandioca no Brasil, sendo este produto utilizado de diversas formas para a produção de alimentos. Vitória da Conquista se destaca na produção de biscoitos artesanais e industrializados fabricados a partir da fécula do polvilho, um processo que possibilita uma abordagem estética crítica e sensível da realidade social contemporânea.