Geleia Geral: É Pokazideia não por falta de proceder

Natália Silva apresenta o novo EP do rapper conquistense TR MC, “Pokazideia”

Por Natália Silva

Já que ocupei a Geleia Geral pela primeira vez para contar sobre o lançamento do selo Mo’Faya Record, lá pelas bandas de janeiro, nada mais justo do que a minha segunda ocupação ser para narrar sobre o primeiro grande lançamento do selo musical. No dia 20 de agosto foi disponibilizado na internet o EP Pokazidea, do rapper conquistense TR MC.

De janeiro até aqui muita água correu pelos encanamentos do Rio Verruga. Paralelo a isso, algumas coisas mudaram. Quem ouve o programa da Gambiarra na Mega já está cansado de saber que eu sou assessora de comunicação da Pedrada Produções. O selo Mo’faya Records é uma das marcas do grupo Pedrada. A gente gosta sempre de deixar claro que é pra todo mundo saber que quando falo de uma das marcas tem um sentimento de pertencimento presente aí. Mas como aqui na Gambis opinião tem que ser acompanhada de informação, é só um algo a mais, mesmo.

POKAZIDEA

Não vou discorrer sobre as faixas pela ordem que elas estão no EP. Mas ele começa com uma introdução assinada pelo DJ Loro Vudu. Isso por si só já é um sinal de algo auspicioso porque a reputação do DJ precede. Mas ali, em 1m22s, já dá pra sentir o peso do que vem em seguida.

Das sete músicas que compoem o EP Pokazidea, três já haviam chegado ao público: A Vida é Pra Viver, lançada a quase um ano, que conta com a participação de Luiza Audaz e a produção feita por Rentwo; Tudo Bem, lançada em fevereiro desse ano, com a produção feita pelo Mr.Break, beatmaker de nomes com projeção nacional como Filipe Ret, Projota e Rashid, com um clip gravado no município de Itacaré, litoral da Bahia; e T.R.A.P. HOUSE, que foi lançada pouco depois, em abril, e que conta com a produção do Freeze No Beat.

O lançamento desses três hits foram importantes para que tivéssemos a oportunidade de conhecer o trabalho solo do TR antes mesmo do lançamento do EP. Eu mencionei o “trabalho solo” porque ele é uma das vozes que compõem o DoRebento Clan (que passa por reformulação), também conhecido como Bonde do Rebento.

Já devem ter calculado por aí que foram QUATRO faixas ineditas. Pois então, quatro músicas para querer decorar assim que ouvidas. Dá-lhe repeat! 😛

Mina Bandida é a música mais adocicada do EP, em termos de batida, até pela pegada sensual que propõe. A voz de TR combinou, pefeitamente, com o tom suave de Breno B.O.N.E. O dueto tem aquela harmonia que te faz querer ouvir mil vezes pra ter a sensação de leveza que a música trás. A faixa teve a produção do Dactes.

T.R.A.P Funk é uma parceria com Zidade MC e Zikinho da ZO, com a produção de  Freeze No Beat. O nome já diz tudo sobre a natureza dos ritmos da música, é a que tem um tom mais direcionado ao estilo ostentação.

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TR MC/ Foto: Divulgação

Diferente de A Rua me Ensinou que conta com a produção RB Alves. Essa música tem uma pegada mais pé no chão. O TR trouxe uma letra um tanto quanto polêmica, mas que no geral propõe a ideia de ação e reação ou causa e efeito presente no mundo.

Pokazidea é a faixa que dá nome ao EP e não poderia ser diferente. Apesar de não ser uma faixa solo, conta com as participações de Ayack (SMC) e Lume MC, aparentemente é a que tem a letra mais autobiográfica.

Através do Pokazidea, como um todo, dá para sentir como é a vida no sertão da ressaca, por uma perspectiva. O rap tem muito disso. Contar a vida do rapper e do lugar onde ele vive está na essência do estilo.

Falando em local

Esses dias li nas timelines da vida que quando a gente começa a reparar nas letras das músicas estrangeiras valoriza mais a música brasileira. Concordo com isso. Porém acrescento um pensamento que não saiu da minha cabeça, desde então: podemos amar a música nacional, mas nada se compara a conhecer o produto local.

É mais do que enxergar os amigos crescerem, profissionalmente. Mesmo porque você pode nem conhecer alguém ligado a música. Mas é enxergar a cidade, a nossa região, ser cantada de alguma forma. Seja pelas batidas do rap, do rock, do forró, não importa o estilo, é lindo saber que de algum forma alguém olha pra cá de um modo especial. E nada melhor do que saber que estamos atentos a nós mesmos.

Como ajudar a cena da música local? Ouça, curta, compartilhe. E não só virtualmente, como as palavras sugerem. Coloque no celular, mostre ao vizinho, ao colega, à amiga. E não, não é só compartilhar por compartilhar, em qualquer um dos estilos você encontrará músicas de muita qualidade. Ritmos viciantes com letras que você vai querer cantar no chuveiro. O trabalho do TR MC, citado acima, é um exemplo claro disso.

Porque todo mundo já não conhece se é tão bom? Possivelmente e provavelmente porque existe um rede de interesses que nos mantém conectados ao que as grandes empresas ligadas à música desejam. É aquela história da matrix. Mas a gente sempre pode sair dela. Respirar novos ares.

Por aqui estamos sempre à procura destes tais novos ares. Então, se tiver alguma sugestão é só enviar. Além de nos acompanhar pelo site e redes sociais, você pode nos ouvir todas as terças-feiras, às 20h15min, na Mega Rádio VCA. Estaremos batendo um papo, com informação, zoeira e música. Grande abraço e até a próxima ocupação! 😉

Ouça TR MC – Pokazideia (2016):

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