Paralisação dos funcionários da Uesb na primeira semana de aula

Portões fechados: paralisação dos funcionários da Uesb na primeira semana de aula

Os portões da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) amanheceram fechados essa manhã. Segundo o Sindicato dos Servidores Técnicos da Uesb, o AFUS, a paralisação se dá por conta da ausência de diálogo com o governo do Estado com relação às exigências desses trabalhadores para melhores condições de trabalho. A paralisação pretende seguir até a sexta feira, com mobilização nos portões.

Essa seria a primeira semana de aula da Uesb após o recesso do fim do segundo semestre de 2013. Se o ano letivo seguir sem grandes interrupções, o calendário prevê a regulação do semestre letivo que segue atrasado desde a greve que ocorreu em 2011.  Tal mobilização foi realizada na época pelas três categorias da Universidade, professores, estudantes e técnicos e contra um decreto que inviabilizava o funcionamento da Uesb e das outras três estaduais baianas.

Apesar disso, o sentimento entre os estudantes de Vitória da Conquista não está em uníssono. Débora Freire Coutinho é estudante do oitavo semestre de medicina e reconhece que haverão atrasos nas aulas, mas acredita que toda mobilização por melhores condições de trabalho é justa. “Há sim atraso nas atividades acadêmicas, mas nada que não possa ser compensado se houver compromisso na reorganização acadêmica. Sou favorável a paralisação até o governo se dignar a negociar e as pautas serem aprovadas de forma decente”, afirmou.

Luiza Telles, coordenadora da AFUS, explica que as atividades serão paralisadas até a sexta-feira e para garantir as mobilizações acontecerão na entrada da instituição. Apesar disso, está havendo a consciência do sindicato de permitir que atividades essenciais sejam mantidas. “A única coisa que nós vamos deixar são as atividades essenciais. Por exemplo, tem o pessoal que trabalha em laboratório com experimentos que precisa dar continuidade aos experimentos. E tem as escolas que funcionam aqui dentro campus, tem uma escola municipal e uma estadual, elas também funcionarão normalmente”.

Veja a pauta de reivindicações da AFUS:

1) Regulamentar Plano de Cargos, Carreiras e Salários instituído pela Lei 11.375/2009 em substituição à Lei 8.889/2003 (também não regulamentada);

2) Revogação da Lei 7.176/97, que retira a autonomia administrativa e financeira das Universidades Estaduais da Bahia;

3) Destinar 7% (sete por cento) da RLI (Receita Líquida de Impostos) para as Universidades;

4) Pagar reajustes salarias anuais retroativos a janeiro de cada ano, sendo esta a data-base legal da categoria;

5) Converter em pecúnia a Licença Prêmio dos servidores técnicos das UEBA´s;

6) Aumentar o valor do Auxílio-Alimentação congelado em R$ 9,00 há mais de 10 anos, para R$ 15,00, já no ano de 2014;

7) Pagamento da URV;

8) Converter em pecúnia 1/3 (um terço) de férias.

1798517_1462038277347247_956683714_n

Foto: Assessoria Afus

Luiza explicou também que não estava havendo diálogo saudável com o Governo do Estado. As reivindicações dos servidores vão desde vale-alimentação até a regulamentação da Lei 11.375, que trata de progressão de carreira. Segundo ela, as negociações vinham sendo feitas desde 2011, mas no final do ano passado, o governo apresentou uma proposta que não era fruto das discussões entre as partes e solicitou que os diretores dos sindicatos assinassem convalidando o acordo.

“Essa negociação foi levada com muito custo durante todo esse período e nós fomos surpreendidos no final do ano passado, no apagar das luzes de 2013, com uma minuta completamente diferente do que havia sido discutido. E ainda havia a exigência de que os sindicatos assinassem um acordo, como se estivessem convalidando”, explicou a coordenadora.

O vale-alimentação dos servidores hoje está congelado em R$9,00 há mais de 10 anos. A Afus luta para que aumente para R$15,00 reais. A luta dos funcionários da Comlurb, no Rio de Janeiro conseguiu aumentar o vale-alimentação para R$20,00, além de outros ganhos significativos. Além disso, na pauta da Afus, existem pontos que também são reivindicações de outras categorias, é o caso da revogação da lei 7.176 e a destinação de 7% da R.L.I para o orçamento das universidades baianas.

Os professores não estão paralisados como os funcionários, mas o sindicato apoia a mobilização e a direção esteve presente no portão esta manhã dando forças para o ato. Além de Vitória da Conquista, atividades estão ocorrendo durante essa semana nas outras três estaduais, Uefs*, Uneb** e Uesc*** e nos outros campi da Uesb, Jequié e Itapetinga. A intenção é reabrir a mesa de negociações com o governo a aprovar a pauta de reivindicações.

“Nós até conseguimos, durante esses dois anos, ter uma mesa de negociação com o governo. Mas na verdade, o que nós vimos no final é que foi tudo “nada”, porque simplesmente no final do ano eles mandam uma minuta pra gente sem nada do que tinha sido discutido e acordado”, concluiu Luiza Telles.

*Universidade Estadual de Feira de Santana

**Universidade Estadual da Bahia

***Universidade Estadual de Santa Cruz