Fabrício Mota (IFÁ Afrobeat): “Conquista é uma cidade que povoa o imaginário dos artistas”

Na estrada com o projeto de circulação pelo interior da Bahia, a banda IFÁ Afrobeat  apresentou o show “Atlântico Negro” em Conquista, com a participação da cantora nigeriana Okwei V Odili

Fotos: Rafael Flores

A banda soteropolitana IFÁ Afrobeat desembarcou no último sábado (16) em Vitória da Conquista com o projeto de circulação pelo interior da Bahia. O show, realizado na concha acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, teve a abertura do Complexo Ragga e a participação da cantora nigeriana Okwei V Odili.

Para Fabrício Mota, baixista, a escolha da cidade foi influenciada por possuir uma relação forte com a cultura alternativa. “A gente escolheu Conquista pois é uma cidade que povoa o imaginário dos artistas, além de ser expoente de muitos artistas importantes. Quando pintou a oportunidade de fazer a circulação, a primeira cidade que pensamos foi Conquista. Temos também muita honra de ter como integrante da banda um músico conquistense, o Juliano Oliveira”, afirmou.

Além de Fabricio Mota, a banda é formada pelos músicos Jorge Dubman (bateria), Átila Santtana (guitarra), Tiago Tamango (teclados), Prince Áddamo (guitarra), Matias Hernan (trombone), Alexandre “Loro” Espinheira, (percussão), Raiden Coelho (sax) e Normando Mendes (trompete). O EP de estreia, com cinco faixas instrumentais autorais, produzidas por André T, foi lançado em 2014, com capa assinada por Lemi Ghariokwu, artista que fez as capas de 26 discos de Fela Kuti.

A música instrumental é o carro-chefe do grupo, que a considera como uma forma de se conectar com o público com uma linguagem diferente. “A diferença de uma banda instrumental para uma banda com um cantor é a palavra. O ingrediente, no nosso caso, é a melodia. A palavra encantada pela melodia que faz a gente reconhecer esse poder melódico que queremos compartilhar com as pessoas”, explica o baixista. “A Bahia é um expoente da música instrumental no mundo, tem uma cena de jazz forte, a Universidade Federal da Bahia abrigou grandes expoentes da música conceitual. O que nós fizemos foi levar a música instrumental para que todos pudessem ouvir, se divertir e dançar”.

A participação da cantora e compositora nigeriana Veronny Okwei Odili no álbum se estendeu para os palcos. O IFÁ conheceu Veronny na Bahia, durante residência da artista em Itaparica, mas é a primeira vez que ela viaja pelo interior baiano. “Quase que de última hora a gente soube que ela ia ficar mais tempo no Brasil. É a nossa maneira carinhosa de dizer ‘vamos conhecer a Bahia juntos’. É uma nigeriana que está conhecendo a Bahia nos palcos”.

O show apresentado em Conquista, denominado “Atlântico Negro”, foi vencedor do Troféu de Revelação na Categoria Melhor Show no Prêmio Caymmi de Música. Além da apresentação, os músicos participaram de uma oficina sobre História e Música, ministrada pelo próprio Fabrício Mota, que além de instrumentista, é historiador.

Mota fez uma análise da música como expressão artística reveladora de aspectos particulares da dinâmica social, compondo a trilha sonora da história no Brasil. “A oficina é uma oportunidade de apresentar para as pessoas que o IFÁ é reflexo também de um trabalho de pesquisa e pra conversar e compartilhar como  nós construímos as canções, quais são as nossas influências, além de levar a proposta da educação”.

O IFÁ Afrobeat também vai percorrer as cidades de Itabuna e Feira de Santana com o projeto nos dias 07 de maio e 04 de junho, respectivamente.

Confira as fotos do show:

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