Especial Hip Hop: Revolução Conquista + Wolf Clan

Iniciamos hoje a série especial de reportagens “Hip Hop: A voz de quem não tem voz”, que vai traçar um perfil dos principais grupos do gênero em Vitória da Conquista

Por Natália Silva

A ideia de escrever especiais é antiga por aqui, mas finalmente estamos conseguindo tirar do campo das ideias. Para nosso primeiro tema escolhemos o universo do Hip Hop em Vitória da Conquista, pois é um setor que tem se destacado na cidade. O Hip Hop possui três principais vertentes: a música (rap), que é composta por DJ’s e MC’s; a dança (break); e as artes visuais (graffiti).

Já sabemos que 2016, talvez, possa ser considerado o ano do Rap no sertão da ressaca. Foi o segmento que mais lançou música e que manteve um ciclo de festas interessantes, sem perder a essência da rua com a Batalha Chapahalls com maior exemplo.

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Esses fatores, inclusive, são destaque na curta trajetória do Revolução Conquista, o primeiro personagem desta história que vamos contar ao longo de sete capítulos. O grupo divide esse enredo com o coletivo Wolf Clan, que é o que podemos chamar de spinoff do grupo de produção cultural.

“Nós estamos lutando por uma obra social que o governo não quer lutar” Mano ZK

O Revolução Conquista nasceu no final de 2015 com a proposta de fortalecer a cena do rap em Vitória da Conquista. A ideia inicial era ser um grupo de rap, mas inspirado no próprio nome que havia escolhido, o seu idealizador Wesley WNS imaginou que uma verdadeira revolução partiria da criação de uma equipe que planejasse eventos de hip hop gratuitos pela cidade.

Juntaram se a ele os MC’s Mano ZK, Tenshihan e Treeexm para começarem o projeto. O primeiro evento do Revolução foi na Praça do Boneco – Bairro Brasil, local exato onde a entrevista para este texto aconteceu.

De lá pra cá pouco mais de um ano se passou. No entanto, o grupo já destaca uma coisa muito positiva na estrada: a safra de MC’s que nasceu ou se mostrou através do “Vozes da Rua”, organizado por eles. O grupo WuBeko e La Lunna MC são exemplos de artistas que se colocaram na cena através do evento do Revolução.

A questão financeira complica o trabalho. Apesar do grupo não ter como proposta o lucro, é preciso de dinheiro para  que os eventos aconteçam. Não existe patrocínio, o mais próximo disso é uma ‘vaquinha’ ou outra em alguns eventos, para que utilizem equipamentos melhores.

Nenhum dos integrantes tem no rap a sua fonte de renda, pelo contrário, gastam com o rap. Segundo Treeexm isso repercurte, inclusive nas relações familiares “a família, às vezes, fala mal demais porque é tirar do seu pra colocar no que ama. Mas eu tenho uma mãe que abre a casa porque vê que é o que a gente gosta, a gente ensaia, dorme faz bagunça” conta.

 

“A ideia é fortalecer o rap na cidade”  Tenshihan

 

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O Wolf Clan é um coletivo de MC’s que surgiu do evento Vozes da Rua, basicamente, pra um MC ajudar o outro como numa alcatéia, literalmente. Hoje, o grupo é composto por 19 MC’s e  já estrapolou os limites do município, contando com integrantes em Belo Campo. Eles se ajudam,c ompartilhando na internet músicas um dos outros, convidando para participar dos shows com intenção de sempre levarem os companheiros para onde forem.

Recetemente, dois dos integrantes resolveram se arriscar na produção e na montagem de um selo musical/gravadora. Treeexm e Tenshihan estão trabalhando na QG Records “QG pra uns é Quartel General, pra nóis é Quarto da Gangue” explica Treeexm. Mas eles não querem se limitar ao Wolf Clan, a ideia é ser um espaço aberto para a cena, no geral.

“Abrace mais o rap. Procure conhecer mais o que é um Revolução Conquista, os grupos de rap, saber mais o que os caras defendem. Eu tenho certeza que muita gente vai se surpreender” Mano ZK

O Revolução entende que existe uma barreira muito grande a ser vencida. Ainda há uma resistência por estarmos numa região estigmatizada como dona de uma cultura mais voltada para o forró e outros ritmos. Além de, muitas vezes, o rap ser associado a marginalidade enquanto crime. Na margem da sociedade o rap vive, é um ritmo essencialmente periférico. Mas a periferia não significa crime, nunca significou.

O Revolução Conquista mostra isso com o seu trabalho. Se quiser saber mais sobre o grupo, eles possuem uma página no Facebook onde divulgam todos os seus eventos. Mas podem procurar na rua, toda semana a galera está na Batalha Chapahalls, que é movimento de batalhas de MC’s que ocorrem todas as quinta-feiras na praça 09 de novembro. É só chegar, perguntar pelo Revolução e bater um papo com eles.

 “Se for pra passar a vida toda fazendo um movimento social sem ganhar dinheiro nenhum, eu passo até morrer” Wesley WNS

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