Eleições Uesb: Entenda as propostas que estão em jogo

Em 2014, três chapas estão concorrendo ao pleito e a disputa já está em curso

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) está passando por eleições para reitoria. As eleições ocorrem a cada 4 anos e suscitam grandes debates nos três campi: Conquista, Jequié e Itapetinga. Em 2014, três chapas estão concorrendo ao pleito e a disputa já está em curso. O calendário eleitoral prevê debates nos campi nos dias 2 (Jequié), 9 (Itapetinga) e 14 de abril (Vitória da Conquista) e a votação no dia 16 de abril. Apesar de haver diferenças no peso dos votos dos estudantes, professores e técnicos, toda a comunidade acadêmica está apta a votar.

As eleições são regidas pela lei 7.176/97. Esta lei regulamenta o funcionamento das universidades estaduais na Bahia e, portanto, define que o voto será uninominal. “Você tem que votar em reitor e vice-reitor, mas se você votar apenas em um deles, o voto é valido. O voto só é invalidado ou considerado nulo quando você vota em dois reitores. Portanto “o voto não é por chapa, você tem que votar em cada um dos candidatos”, como explica o coordenador geral da Comissão Eleitoral, professor José Duarte.

Além dessa característica, as eleições para reitoria têm uma peculiaridade que é a chamada lista tríplice. Isso define que os três reitores mais votados pela comunidade acadêmica serão encaminhados para o governador do estado para que ele nomeie um dos três. Na prática, como só existem três chapas concorrendo ao pleito, essa decisão está nas mãos da Governo do Estado. Isso ocorre nas outras universidades estaduais baianas e leis semelhantes regem as outras universidades públicas brasileiras, tendo suas variações federais e estaduais.

Apesar disso, historicamente tem ocorrido que o primeiro da lista é sempre nomeado, considerando o critério de paridade dos votos, ou seja, 1/3 para cada categoria.

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Foto: Arquivo Pessoal

Com uma proposta de oposição, o professor Paulo Cairo e o candidato a vice reitor, Jorge Costa do Nascimento surgem como a Chapa 1. Apoiada pelo grupo de professores que hoje compõe a direção da Associação dos Docente da Uesb (Adusb) e fruto das lutas travadas por esse sindicato, a chapa se coloca pré-disposta a uma gestão mais engajada. “Isso é o resultado da articulação de um grupo de professores, oriundo dessas lutas sindicais nos últimos anos. Não se trata de uma candidatura do sindicato porque o sindicato não tem candidato, mas eu acho que essa candidatura tem origem na experiencia vivenciada nas lutas sindicais nos últimos anos”, explica Paulo Cairo.

Segundo o professor, a história mostrou que um reitor deve se antecipar às demandas da comunidade universitária, “A gestão da universidade precisa ser mais propositiva, não é o caso de a gestão apenas aguardar as demandas para atendê-las. É preciso se antecipar a isso”.

Além disso a chapa defende o fato de que eles estejam mais ligados às lutas dos três segmentos que compõem a Uesb: professores, alunos e funcionários. “Paralelamente, o peso politico do reitor deve ser sempre colocado ao lado como aliado das lutas mais importantes dos três segmentos da comunidade acadêmica. Sempre como aliado nessas e não com o objetivo de cooptação de nenhum dos movimentos que os organizam”, conclui o professor sobre a proposta da chapa.

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Foto: Arquivo Pessoal

Seguindo um outro caminho, mas também se colocando como oposição, o Professor Itamar Aguiar se apresentou como candidato pela Chapa 2. A principal proposição da chapa é a autonomia universitária. O professor Itamar já se colocou como candidato outras duas vezes, sendo a primeira eleição para reitoria da Uesb no início dos anos 80 e as últimas eleições, que ocorreram em 2010. Como da última vez, o vice da chapa é o professor Cândido Requião.

Segundo Itamar, a Uesb precisa passar por uma revisão de sua estatuinte. “A universidade precisa passar por um processo de revisão geral de todas as suas normas, resoluções, portarias e etc., para colocá-las de acordo com a legislação ulterior do país e do Estado da Bahia. Ela tem produzido uma série de atividades que fogem aos seus fins e tem um conjunto de atividades internas que não funcionam adequadamente. A nossa proposição principal é fazer com que essa universidade funcione de acordo com os seus fins. É observando os seus fins que ela é uma instituição que presta serviços a sociedade”, explica Itamar.

O nome do professor Itamar na eleição anterior abraçou a luta histórica dos estudantes pelo voto direto e universal, e este ano a proposta se manterá: “Eu não entendo como é que eu, como professor, posso ter o meu voto com mais importância para escolher o reitor do que o voto de um estudante de qualquer um dos cursos”.

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Foto: Blog do Anderson

O atual reitor, Paulo Roberto, está se recandidatando pela Chapa 3 junto com o nome para vice-reitor do professor Fábio Félix. Paulo Roberto é professor pleno do curso de Agronomia, enquanto Fábio Félix é professor do curso de Direito e trabalha na atual gestão como Pró-Reitor de Extensão. A equipe da Revista Gambiarra tentou entrar em contato com o professor Paulo Roberto desde o mês de janeiro, porém nos foi informado que ele esteve de licença por um período e apesar das tentativas persistirem, ainda não foi possível marcar uma entrevista para conversar sobre a proposta da chapa.

Dentro da conjuntura do quadro eleitoral, o Diretório Central dos Estudantes está observando o processo de forma cautelosa para evitar tendenciamento. “Nós pensamos em fazer algum ato no período de campanha, mas como é uma coisa muito delicada, a ideia ainda está em forma de amadurecimento. Nós não queremos tendenciar as eleições com o DCE”, explica o coordenador geral, Gabriel Xavier.

Apesar disso, a direção da entidade entende a importância do debate para as eleições e acredita que só quem tem a ganhar com todo esse processo é a universidade. Sobre o voto universal e a lista tríplice, Gabriel explicou que infelizmente as coisas ocorrem dessa forma, mas a luta dos estudantes sempre será pelo voto universal.