#Editorial Bahia refém porque eu quis

Polícia Militar da Bahia toma novos rumos em relação a sua mobilização e deixa a população baiana atônita e perdida no tiroteio de informações

A Bahia vive um momento de extremo abuso de poder e instauração de terror por sua Polícia Militar. Na última terça (15) em assembleia geral dos policiais militares do estado, foi decretada uma greve em meio a negociação com o Governo Jaques Wagner, referente ao Plano de Modernização da PM.

A partir da negativa do diálogo e a elaboração de uma contraproposta, a população baiana, que passou pela mesma situação em 2012, viveu 48 horas de tensão e caos. Com os militares completamente parados e mesmo com o envio de tropas federais para forjar certa segurança, foram registradas 19 mortes em 24 horas em Salvador e região e 42 durante dois dias de greve em Feira de Santana, segundo maior município do estado.

A mobilização estava sendo liderada pelo bombeiro e vereador de Salvador Marco Prisco (PSDB), aquele mesmo que aparece em 2012 em uma gravação veiculada no Jornal Nacional pedindo para que os policias de Vitória da Conquista, no interior do estado, intensificassem o estado de violência. Considerada ilegal e inconstitucional, além de não ter obtido nem apoio político nem da sociedade civil, a greve perdeu forças e terminou com um acordo simples na tarde de ontem (17).

Os baianos respiraram por alguns segundos a sensação de um feriado tranquilo até a operação da Polícia Federal em conjunto com a Aeronáutica e Polícia Rodoviária, que prendeu Prisco em Costa do Sauípe. A prisão, preventiva, foi determinada, na segunda-feira, 14, pela Justiça Federal, acatando pedido do Ministério Público Federal, e justificada com uma ação penal movida pelo MPF em abril de 2013, quando denunciou sete vereadores, soldados e cabos da PM por diversos crimes, a maioria deles contra a segurança nacional, praticados durante a última greve, também liderada por Prisco.

Em seguida, em entrevista para a Folha de São Paulo, o Capitão Tadeu recua e apenas pede para que os policiais fiquem aquartelados. “Para acalmar os ânimos e evitar qualquer tipo de ação isolada”, explica, descartando por ora a recém premeditada greve.

Isso tudo apenas prova que a Polícia Militar não se entende enquanto classe trabalhadora e afirma sua postura repressiva, terrorista e avessa ao diálogo, mandando e desmandando no fluxo urbano. Enquanto isso, a população permanece amedrontada com o risco de sofrer algum dano por bandidos oportunistas ou até com policiais sem farda implantando algum motim por aí.

Já está mais do que na hora da população baiana se juntar ao país no debate de uma possível desmilitarização de nossa Polícia e perceber que o caos instaurado sem distinção durante este período está diariamente assassinando a nossa juventude negra e de periferia.