Ederlane Amorim: “2015 foi, talvez, o melhor ano da história do clube em todos os aspectos”

Presidente do Vitória da Conquista fala sobre o balanço de 2015 para o clube e o planejamento do alviverde para 2016

Por Natália Silva, da coluna Sem Firula

Foto: Divulgação

Na tarde deste domingo (31), o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista entra em campo contra o Flamengo de Guanambi, pela primeira rodada do Campeonato Baiano de 2016, no estádio 2 de Julho, em Guanambi.

Para entender como o Bode finalizou o ano de 2015 e planejou a temporada que se inicia, Natália Silva foi à sede do clube conversar com o presidente Ederlane Amorim sobre o assunto.

Natália Silva: Para começar, eu queria que o senhor fizesse um balaço do que foi 2015 para o Vitória da Conquista.

Ederlane Amorim: 2015 foi, talvez, o melhor ano da história do clube em todos os aspectos. No aspecto técnico, por termos chegado na final do Campeonato Baiano; no aspecto de sustentação de marca, já que a disputa da Copa do Brasil, apesar do resultado negativo aqui, de não termos conduzido o clube a segunda partida contra o Palmeiras, ainda assim nós tivemos uma visibilidade muito grande.

Foi quase uma semana de divulgação nacional, pré-jogo, durante o jogo e pós-jogo. Nós deixamos uma boa imagem apesar do resultado negativo; depois tivemos o Campeonato Baiano, que poderíamos ter sido campeões invictos também, o que seria um marco para a história do clube. Assim como foi em 2006 quando nós conquistamos a segunda divisão. Mas, apesar da derrota no final de uma maneira humilhante, frustrante, não apagou a campanha que nós fizemos porque chegamos na final credenciados como o time favorito.

O segundo semestre já não foi tão positivo, disputamos a sétima edição da Copa Estado da Bahia e fizemos um investimento altíssimo. Eu imagino que de todos os elencos que nós montamos o de 2015 foi o mais forte. Achávamos que ganharíamos essa competição com uma maior facilidade, pelo elenco que nós montamos e pela falta de investimento que os outros times tiveram. Infelizmente, não tivemos uma boa performance na Copa Estado. Das sete edições que houveram, nós fizemos as finais de seis, ganhamos quatro e essa última nós nem passamos da primeira fase, não vencemos um jogo.

Mas não apagou o ano positivo: o vice Campeonato Baiano; a projeção para disputar, em 2016, a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil; a parte financeira do clube, por conta dessa campanha do baiano, pelo que proporcionou o jogo contra o Palmeiras; a ampliação de mais um campo no centro de treinamentos, na Toca do Bode. Foram esses fatores que colocaram 2015 como um dos anos mais importantes da história do clube.

N. S.: E para esse ano, qual é o planejamento do clube a longo prazo?

E.A.: A gente sempre planeja, dentro das competições que vamos participar, fazer boas campanhas. Esse é o principal objetivo. Nos apresentamos no dia 28 de dezembro, ou seja, praticamente um mês de pré-temporada, tempo suficiente para os jogadores recuperarem sua forma física, para que os que vieram de fora passem a conhecer como funciona a engrenagem do clube.

Fizemos dois amistosos e estamos prontos para a estreia do campeonato. Mas a estratégia montada de logística, cronograma de viagens, porque vamos disputar duas competições simultâneas, ela já está pronta de que saíram as tabelas. Mas não será fácil por conta das dificuldades que nós temos de deslocamento, por conta do aeroporto daqui de Conquista.

Nós vamos fazer, em fevereiro, sete partidas e isto para um time modesto, um time do interior, que não tem muita estrutura, principalmente, a título de recuperação de jogadores de um jogo para o outro. A tendência é que a gente possa sentir bastante essas duas competições, o que é um problema bom de se passar porque isso significa que estamos nessas competições, mas pensar que além das dificuldades técnicas de enfrentar grandes equipes vamos ter mais esta dificuldade de estarmos jogando domingo e quarta, praticamente, sem tempo para descansar pode ser um problema grande.

Por isso já fizemos um planejamento físico, de alimentação, de suplementação para que a gente pudesse criar nesse grupo uma base sólida capaz de atender essas duas competições, que podem se transformar em três porque a Copa do Brasil já começa em março ou abril para as equipes baianas. Se ainda tivermos na Copa do Nordeste vamos estar disputando três competições, mas estamos preparados para isso e esperamos que dentro de campo os jogadores consigam responder a essa expectativa.

N.S.: Em relação ao Estádio Lomanto Júnior, como foi para o Bode a demora em receber a autorização para jogar e o fato de começarem a competição atuando como mandantes fora de casa?

E.A.: Foi um problema que começou para nós há, mais ou menos, dois meses, quando começamos a ter a sensação de que teríamos problemas na liberação do estádio. A Federação Baiana trabalha com laudos e esses documentos não foram enviados. Nós paramos de jogar no Lomanto Júnior no dia 27 de abril, de abril para janeiro são nove meses, mas infelizmente não houve tempo para a execução total da reforma, que é uma coisa muito benéfica e que vai deixar um grande legado para a comunidade desportiva. Todos nós sempre almejamos essas reformas, a troca do gramado.

Tecnicamente, eu não posso opinar porque não ficou pronto, não é minha área, mas eu imagino que o tempo tenha sido suficiente. Esse atraso causou prejuízos: psicológico, porque a gente já tem muitos problemas para estarmos preocupados e passamos a desviar o foco para essa situação porque a válvula  que vai guiar o clube são os jogos e não sabíamos onde íamos jogar. Ficava essa dúvida, essa expectativa, o que acaba atrapalhando; um prejuízo financeiro de você deixar de jogar na sua cidade, com capacidade para 12 mil pessoas, e jogar num estádio de 4 mil pagantes, como é Ilhéus; o prejuízo físico de está se deslocando, também, para um jogo que você é mandante; e o próprio prejuízo técnico de você deixar de receber em seu campo times grandes. Não é nossa cidade, não é nossa torcida. Ou seja, respingou em vários aspectos de modo negativo.

N.S.: Sobre o centro de treinamento, a Toca do Bode, vocês têm alguma pespectiva de melhorias?

E.A.: Nosso CT é um espaço de dez hectares, que compramos com recursos próprios desde 2009. Como nossa grade financeira não permite a realização completa do projeto, que está orçado em 8 milhões de reais, a gente vêm sofrendo com essa limitação de arrecadação para fazer algum tipo de reforma.

Eu não posso deixar de agradacer a Prefeitura Municipal, porque foi através do prefeito Guilherme Menezes que nós conseguimos a terraplanagem e a mão de obra para o dois campos que temos. Apesar de nunca ter havido um apoio financeiro maior do poder público, eu não posso deixar de negar esse apoio. Primeiro fizemos um campo, onde treinamos desde 2010, e a partir disso conseguimos bons resultados em nossa trajetória. Ano passado recebemos a  terraplanagem e a mão de obra, novamente, e a agora estamos no processo de colocar a grama, que é de responsabilidade do clube.

Eu acredito que até o final do Campeonato Baiano a gente já tenha dois campos preparados para trabalharmos, principalmente, para atender a divisão de base. Em relação a outras melhorias na estrutura física, não houve nenhum avanço porque tudo que se arrecada é direcionado para o departamento de futebol. A gente vai fazendo de pouco a pouco, da maneira que está sendo possível fazer, vai demorar um pouquinho, mas é um projeto do nosso clube concluir esse espaço.

N.S.: Fale um pouco sobre as dimensões atuais do programa de sócio-torcedor do Vitória da Conquista.

E.A.: É muito difícil você colocar um programa de sócio-torcedor quando não se tem calendário. Nossa expectativa é de disputar apenas o primeiro semestre este ano, já que as vagas para disputar competições no segundo são dadas dentro do Campeonato Baiano. Então não se tem muita coisa para oferecer. Mesmo assim, nós agradecemos aos sócios-torcedores que temos.

No ano passado trabalhamos com cerca de 400, esse ano a expectativa é que possamos chegar a mil. Tivemos agora esse problema da mudança de dois jogos [porque o Lomanto Júnior não foi liberado], são dois jogos que saem do cartel de programação do clube aqui em Conquista e quem sabe com isso o sócio também se desestimule a fazer o plano. Mas nossa expectativa, ainda, é chegar a mil e quem sabe no futuro a 5 mil para que a gente possa gerir o clube de uma maneira independente, caminhar com as nossas pernas. É um trabalho de formiguinha.

Nós temos dois planos de sócios, um de arquibancada, que é 400 reais divididos em dez vezes no cartão, e outro de cadeira cativa, que é 700 reais, divididos da mesma forma. Na adesão, recebe-se: uma camisa oficial do clube; entrada preferencial no estádio, em jogos com mando de capo do nosso; e alguns descontos em vários estabelecimentos da cidade, como faculdades, restaurantes, academias, casa de material de construção e mais algumas empresas que vamos divulgar após o convênio ser celebrado. Se tratando de um time do interior, eu acho que somos um dos únicos clubes a manter um quadro de sócio-torcedores, ativos, anualmente.

N.S.: Há algum tempo que vemos um discussão política grande em torno da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com o debate a cerca do calendário de competições, agora a criação da Primeira Liga. Vocês já pararam para pensar sobre o que isso influencia o Vitória da Conquista, sobre como o calendário atual prejudica, ou não, o crescimento do clube?

E.A.: Sempre os prejudicados são quem estão no baixo escalão, eu vejo desta maneira. Fala-se muito em criar uma Série E [no Campeonato Brasileiro], a Série D já é muito difícil de ser disputada, sem muita estrutura, sem muita visibilidade. Mas se você cria uma Série E, aumenta a exposição do clube e a projeção para Séries mais importantes como, no mínimo, uma Série D ou C. Se fala muito na teoria, mas ainda não foi apresentado nada na prática para que a gente possa estudar se vai ser benéfica ou não, tem que ser avaliado tecnicamente.

Eu imagino que quando se propõe mudanças no futebol sempre querem privilegiar uma classe e não o futebol como um todo. Por isso surgiu o Bom Senso F.C. aí, esse grupo de jogadores que discutem melhorias no futebol, responsabilidade no cumprimento dos deveres dos clubes, mas isso aí mais para times da Série A, Série B. Discutiu-se férias de um mês, um mês de pré-temporada. Os times pequenos acabam se prejudicando com a situação, ficamos um tempo sem jogar, depois disputamos um campeonato de fevereiro até março, podendo não se classificar para as próximas fases e ficar o ano inteiro sem jogar competição alguma. Você tem compromissos assumidos, mas pode não ter uma boa participação, uma boa receita.

Administrar o futebol brasileiro não é tão fácil como na Europa porque o universo de times lá é muito menor, tem países na Europa do tamanho do estado de Sergipe. Mas estamos dando passos importantes com a exigência dos clubes de se organizarem, se profissionalizarem para vê se estão realmente em condições de disputar competições. Passando um pente fino, de maneira criteriosa, é claro, e tendo a diminuição na quantidade de clubes eu acho que iria ser possível organizar competições melhores valorizando mais qualidade do que quantidade.

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