Duda Beat: “Ivete Sangalo foi minha grande musa da adolescência”

Atração do Feira Noise, que acontece em Feira de Santana este fim de semana (23 a 25), Duda Beat fala com a Revista Gambiarra sobre sua música e o universo que a envolve

Duda Beat lançou o seu primeiro álbum em maio deste ano e não demorou muito para sua música circular, tanto nos principais festivais do país quanto nas plataformas de streaming.

Além de ter sido confirmada no Lollapalooza de 2019, ela estará presente este fim de semana no Feira Noise em Feira de Santana na Bahia, onde divide o palco com nomes como Letrux, Attoxxa, Scalene, Drik Barbosa, Boogarins, Clube de Patifes e Dona Iracema.

O disco “Sinto Muito” apresentou para o Brasil uma artista pronta para desenvolver a música pop brasileira sem amarras. Dele saiu “Bixinho”, que bateu 1 milhão de escutas no Spotify, um número alto pra música feita longe do circuito mainstream.

A cantora é recifense, mas mora no Rio de Janeiro e gosta da Axé Music – disso já podemos ter uma noção do seu caminho musical, que passa pelo brega, tecnobrega, dub, reggae e outros elementos.

Batemos um papo com Duda e falamos sobre sua música e algumas coisas que envolvem o seu universo:

Revista Gambiarra: Você comentou que gostou do nosso vídeo por termos citado seu disco “Sinto Muito” como pop e não como indie, explica um pouco como é essa categorização do seu som na sua cabeça. Em que prateleira deveria ficar?

Duda Beat: Para mim, meu som é POP. Pois dentro do meu disco diálogo com diversos gêneros musicais, passo pelo brega, pelo latino, pelo dub, reggae entre outros. Nao é um som nichado, nem experimental. Amo o termo “sofrência Pop”.

Revista Gambiarra: “Bixinho” bateu 1 milhão de escutas no Spotify recentemente, a que você atribui esse alcance?

Duda Beat: Não sei exatamente a que atribuir os números exemplares dessa faixa, não sei se foi porque foi a musica que trabalhei como single ou porque acredito ser ela a mais popular do disco. Estamos numa onda forte de musica latina e a “Bixinho” tem essa pegada. Talvez seja por isso que esta sendo ouvida.

Revista gambiarra: Você é pernambucana e foi pro Rio na adolescência, certo? Como esses dois lugares estão presentes na sua produção?

Duda Beat: Recife me formou como ser humano, e o lado cultural de recife é muito forte em nós recifenses. Cresci ouvindo frevo, maracatu, brega, baião e tudo mais que essa terra linda me proporcionou e isso me deu arcabouço para tornar meu trabalho universal. No Rio as influências foram outras, foram de vida mesmo, dia dia, e histórias que estão presentes nas minhas letras.

Revista Gambiarra: Em algumas entrevistas você cita a influência do Axé Music, gostaríamos de saber como que essas músicas baianas chegaram pra você (que é recifense e carrega uma referência ao Mangue Beat no nome de carreira)? 

Duda Beat: Cresci ouvindo axé também. Em Recife consumimos muito a cultura do nordeste inteiro e Ivete Sangalo foi minha grande musa da adolescência. O axé em recife é de casa.

Temos carnaval fora de época que toca axé, rádio, shows recorrentes desse gênero, alem do fato de que nos anos 90 esse gênero estava muito em voga e tocando muito no Brasil inteiro.

Revista Gambiarra: Apesar de muito contemporâneo seu trabalho tem alguns pontos de diálogo com a música dos anos 80, a qual tem também norteado trabalhos recentes de outros artistas brasileiros. É realmente uma influência e se sim, o que você citaria de mais importante desse período pro seu trabalho?

Duda Beat: Super é uma influência, eu costumo falar que os anos 80 para mim é a melhor década da música. Nos anos 80 produziram muitas musicas sensuais slow bpm que amo e isso está totalmente presente no meu trabalho, principalmente numa faixa minha que se chama “Back to bad” que tem uma influência direta de uma cantora que amo chamada Sade.

Revista Gambiarra: Você estava trabalhando com Letícia no ‘Letrux Em Noite de Climão” enquanto produzia o “Sinto Muito” e pra gente existe alguma liga, algum laço ali entre os dois trabalhos. Tem alguma influência mútua?

Duda Beat: Não estava “trabalhando”, eu e Leticia somos amigas de anos e ela me convidou para participar de uma faixa cantando num corinho junto com Maeana e MarthaV. Admiro muito a Leticia, sempre admirei, mas acho que nosso trabalho é muito diferente um do outro.

Revista Gambiarra: Sua relação é forte com essa cena carioca, com a qual você já dialoga há um tempo. Qual a importância dessa turma na visibilidade do seu trabalho?

Duda Beat: Essa turma que coincidentemente são meus amigos tiveram importância muito mais pela força que me deram deu me arriscar nessa profissão do que visibilidade em si. Me ajudam muito em lances de carreira, de como devo me portar em certas situações… já estão nessa há um tempo e sempre que preciso de dicas não penso duas vezes em pedir ajuda.

Revista Gambiarra: No Feira Noise vão rolar os dois shows,  o da Letrux na sexta (23) e o seu no domingo(25). Pode falar um pouquinho sobre o que o público pode esperar deles?

Duda Beat: O show da Letrux é magico, envolvente e recheado de discursos maravilhosos, vale a pena prestar atenção em tudo que essa mulher poderosa fala. É demais. No meu podem esperar um show dançante, animado, e de cantoria rs, gosto muito do público cantando tudo comigo. Mesmo as letras sendo de amores que não deram certo, procuro dançar e me divertir com isso.