Criticar Pokemon Go não aumenta o seu Q.I, dizem especialistas

Confira uma narrativa bem pessoal sobre a franquia Pokemon e a idiotização do debate em torno do novo jogo

Lá nos primeiros dias dos anos 2000, minha grande válvula de escape para as dificuldades que eu passava no colégio (leia-se bullyng), era um cartucho amarelo para Game Boy. Um Pikachu raivoso estampava a capa do que veio a ser a minha iniciação nos jogos da franquia: Pokemon Yellow.

No futebol eu nem me arriscava tentar mais, nas aulas de basquete (que meus pais pagavam uma mensalidade extra pro colégio) eu era escanteado até pelo educador físico por ser gordo. Mas aí achei algo em que eu era bom, de verdade, e comecei a criar laços com outros apaixonados e isso se tornou uma coisa muito importante na minha infância, mesmo que a pirraça só tenha aumentado a partir de então.

E essa criação de laços é uma questão que a Pokemon Company sempre levou em consideração. Desde o cabo game link – pelo qual eles te obrigavam a ter mais um amigo jogando com você para completar algumas etapas da aventura, às interações e trocas pela internet com os jogos para o Nintendo Ds.

Sim, os vídeo-games não foram (nem são) tão populares e de acesso fácil como os atuais smartphones, o que faz com que o Pokemon GO tenha sido esse estouro mundial e em consequência, recebido tanto ódio. E nem me refiro às teorias de espionagem, que tem lá seu fundamento, mas não vem com nada do que a gente já não saiba- ou devia saber, sobre o uso de redes sociais e outros aplicativos. Sobre isso, indico esse texto bastante didático da Revista Época.

Queria mesmo direcionar minhas energias àqueles que dedicaram parte do seu tempo a exaltar a sua grande e bela inteligência em detrimento daqueles que se encantaram com o jogo. Contraditoriamente, de forma bem burra, usam alguns argumentos fora de contexto dos teóricos da indústria cultural para diminuir a cultura de massa e encaixar os usuários do aplicativo na categoria acéfala e manipulada.

O problemático encontro do virtual com a realidade é tema desse texto, bastante enriquecedor, do Blog da Boi Tempo

Jogar, para mim, sempre foi sinônimo de colocar a cabeça para funcionar, exercitar possibilidades e também se transportar para outras narrativas. Muito parecido do que acontece quando vemos um filme cult ou nos dedicamos à uma leitura, então pare de ordenar que larguemos o Pokemon GO para substituir por um Book Go ou piada parecida. Apenas parem.

Fora isso, talvez seja o primeiro, desde Farmville e Candy Crush que tenha conseguido alcançar praticamente todas as faixas etárias. E isso, eu já provei empiricamente com uma breve circulada na cidade um dia depois do lançamento e com narrativas dos meus pais sobre seus amigos (na faixa dos 60 anos) extremamente motivados em se tornarem mestres Pokemon.

Quantas vezes no dia você cumprimenta uma pessoa desconhecida na rua? Ontem, interagi com cinco em uma praça, apenas nesse teste que fiz para poder escrever essas linhas raivosas. Todos muito felizes por experimentar o que provavelmente é o primeiro jogo de realidade aumentada de suas vidas. Chato, que precisemos de um jogo do porte para que alguns de nós voltemos a explorar as ruas, mas que bom que nos impulsionaram a isso.