Com nome no Grammy, Vandal pede mais espaço para música da favela

Rapper baiano assina a faixa “CertohPeloCertoh” em álbum premiado do Baiana System

Por Rafael Flores / Fotos: Coletivo ISO314

“A Favela tá aqui?”: esta foi a primeira interação que o rapper soteropolitano Vandal faz ao público ao entrar no palco da décima edição do Feira Noise Festival, em Feira de Santana nesta sexta-feira.

Acompanhado da DJ Bruxa Braba, ele apresentou seus fortes versos de músicas como “Ballah ih Fogoh”, “Vemh nih minh” e “Certoh Peloh Certoh” e em alguns momentos deu espaço para músicas populares do circuito comercial, como “Nem Tchum”, de Ana Catarina.

A última fez parte do disco “O Futuro Não Demora”, dos seus parceiros do Baiana System, que rendeu um Grammy Latino de melhor álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Português.

Antes de performá-la, Vandal mencionou o prêmio e comentou sobre o álbum: “não é um disco cult, é um disco que veio de um favelado, não é uma música gentrificada”.

Vandal | Foto: Coletivo ISO314

Apesar da felicidade em vivenciar uma canção de sua autoria chegando a tal nível, o rapper ainda não vê uma abertura verdadeira de espaço para música feita nas periferias do país.

“Eu sou um fomentador de possibilidades, mas de possibilidades certeiras, não de ilusões. A gente precisa parar de achar que temos o jogo ganho por que existem pessoas que conseguiram fazer um trampo e ‘chegar lá’, mas existem inúmeros artistas de Salvador, de Feira de Santana, de Teixeira de Freitas, Teresina, Fortaleza, todo um cenário nordestino que não pode se embreagar achando que está tudo tranquilão”, afirma.

Vandal | Foto: Duane Carvalho

Para Vandal, existe um circuito que merece ser agraciado e que não é. “Quando a favela tenta trazer coisas à tona, dizem que a gente tem síndrome de underground, mas quando os playboys abastados usam os nossos termos eles acham lindo. Se eles podem capitalizar em cima da gente, por que não podemos capitalizar em cima de nossas vivências?”, questiona.

Fotos: Coletivo ISO314

A reflexão ainda corre paro o caminho ainda árduo e sensível quando pensamos sobre a saúde mental dos jovens artistas negros. “Imagine o sentimento de depressão e de incerteza em que um jovem negro oriundo de favela passa ao ver quem não teve um terço de sua vivência falando por ele? Então eu acho que uma luta muito grande que deve ser fomentada, por que tudo que está acontecendo ainda não contempla a luta verdadeira que deve ser contemplada”, conclui Vandal.

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