Ciclovias são alternativa para aprimorar a mobilidade urbana em grandes e médias cidades

Em Vitória da Conquista, ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte barato e ecológico falam sobre a conscientização no trânsito em relação às ciclovias e ciclofaixas

Vitória da Conquista tem atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente de 336.990 habitantes. A cidade ainda possui um dos PIBs que mais crescem no interior da região sudoeste. Além disso, abrange cerca 80 municípios baianos e 16 no norte de Minas Gerais.

Com o crescimento da população e do poder de compra, alguns aspectos acabam sendo influenciados diretamente, como a infra-estrutura urbana e as questões de mobilidade, que se consistem no aumento de carros, transporte coletivo insuficiente, trânsito obstruído, dentre outros.

Neste sentido, a construção de ciclovias na cidade surge como uma alternativa que vai além do lazer, tornando-se um importante equipamento público que incentiva a utilização da bicicleta como meio de transporte barato e ecológico.

A ciclovia é um espaço destinado especificamente para a circulação de pessoas utilizando bicicletas. Há, porém, uma diferença no que se consiste a ciclovia e a ciclofaixa. A ciclovia é segregada fisicamente do tráfego automóvel. Podem ser unidirecionais (um só sentido) ou bidirecionais (dois sentidos). Já a ciclofaixa é uma faixa das vias de tráfego, geralmente no mesmo sentido de direção dos automóveis e em mão única. Nestas circunstâncias, a circulação de bicicletas é integrada ao trânsito de veículos, havendo somente uma faixa ou um separador físico, como blocos de concreto.

Hoje, no Brasil, as ciclovias representam apenas 1% da malha viária das capitais no país, segundo levantamento do G1 junto às prefeituras das 26 capitais, feito em março deste ano. Esta porcentagem é equivalente à 1.118 km de ciclovias. 

Em Vitória da Conquista, este número é positivo. Segundo dados da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a cidade conta com mais de 23 km de faixa exclusiva para os ciclistas, o que torna o município com a maior extensão de vias cicláveis do interior da Bahia. A cidade ainda possui uma lei que institui o Dia Municipal do Ciclista, proposta do vereador Gildásio Silveira (Lei nº 1.744/2011), que busca incentivar a prática do ciclismo. 

Ciclovias x Comerciantes

Apesar do crescente número de ciclovias na cidade, os ciclistas reclamam bastante da falta de respeito às regras de trânsito e da falta de conscientização, muitas vezes partindo dos motoristas. Além das infrações, algumas ciclovias implantadas recentemente estão sendo alvo de críticas por parte dos comerciantes, que alegam que elas atrapalham o tráfego de veículos, além da falta de estacionamento no comércio, o que acaba prejudicando o retorno nas vendas.

É o que acontece na Avenida Brumado, por exemplo. “Perdemos muitos clientes por causa da falta de estacionamento. Seria preciso tirar essa ciclovia, colocar em outra rua, como a Av. Piauí ou a Av. Maranhão e fazer estacionamento. Nem os próprios ciclistas a usam e o comércio na Av. brumado depende de carro”, explicou o empresário Antônio Alves Júnior, que possui comércio no local.

Porém, Gracianny Bittencourt, moradora da Urbis II, localizado nas proximidades da avenida, afirma que o tráfego de ciclistas é bastante intenso, principalmente nos horários de ida e volta do trabalho. “Sempre tem ciclista indo ou voltando do trabalho ou até mesmo ciclistas profissionais e pessoas que vão pedalar na Lagoa do Bateias. Comecei a vê-los com mais frequência por aqui”, afirmou.

Sobre as mudanças que incluem a implantação da ciclovia no local, a moradora afirma que o trânsito está mais organizado e os ciclistas mais seguros. “A avenida está melhor organizada. Antes, além das duas vias, as pessoas estacionavam muito nos passeios e os ciclistas andavam no meio dos carros. Acredito também que o trânsito esteja mais rápido, principalmente no sentido bairro/centro”, declarou. “Se formos analisar tem mais gente beneficiada do que prejudicada”, concluiu Gracianny.

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Ciclovia x Carros e Pedestres

Daíse Bernardino, moradora da Morada dos Pássaros, optou pelo uso da bicicleta para se locomover há um ano e meio. Ela, que trabalha na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), gasta cerca de 30 minutos, percorrendo 9,7 km com o meio de transporte mais simples e ecologicamente correto. “Se eu for de ônibus padeço por alguns motivos. Poucos horários (os ônibus passam de hora em hora) e sempre lotados, além de gastar quase uma hora até a Uesb”, disse. “O que me fez comprar a bicicleta foi a ciclovia que vai praticamente da porta de casa ate a Uesb. A prefeitura cuida bem dela, é bem sinalizada”, concluiu.

Já a estudante de Comunicação Social, Laysa de Gouveia, utiliza a bicicleta para fazer as atividades diárias, além de ir para a faculdade. Sobre as dificuldades em trafegar com o meio de transporte pela cidade, Laysa afirma que o desrespeito acontece tanto à faixa de ciclista, quanto ao espaço do ciclista. “A faixa de ciclista vez ou outra está servindo de estacionamento, acostamento, lugar para bate papo ou descanso. Os motorista são muito nervosos, não dão passagem e se te vêem em um lugar que não seja a faixa de pedestres, não hesitam em colocar o carro em cima”, declarou.

Segundo a estudante, as faixas de ciclistas ainda são insuficientes na cidade. “Digo isso como moradora do centro, onde ainda têm bastante ciclofaixas, mas ainda assim, gostaria de muito mais, principalmente nos bairros mais periféricos. Acredito que andem muito mais de bicicleta do que no centro. Os benefícios públicos não devem ser faltosos a nenhum”.

A inserção das bicicletas como meio de transporte alternativo nas grandes e médias cidades, são extremamente importantes para o desenvolvimento urbano com respeito ao meio ambiente, além da desobstrução do trânsito. A bicicleta se consiste também como meio de prática de exercício.  Diversas pesquisas estão sendo feitas no Brasil e no mundo neste sentido, provando que a construção de ciclovias e ciclofaixas são também uma evidência de respeito ao direito de ir e vir do cidadão. Há também outras iniciativas que acompanham essas. É o caso dos bicicletários, onde os veículos ficam disponíveis para a população, uma espécie de “locadora” de bicicletas, como também as campanhas educativas de apoio e divulgação para o uso das mesmas.

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