Carnaval em Conquista teve relatos de agressão à mulher

Após festa, homem teria agredido a vítima, após esta  recusar investida

Dezenas de campanhas contra o assédio e qualquer outro tipo de agressão à mulher estamparam o carnaval brasileiro. Apesar disso, ainda ouvimos relatos de homens agressores que recusaram um “não!”.

Em Vitória da Conquista, na terça-feira (05) narrativas sobre mais uma vítima chegaram às mídias sociais. Segundo relatos, após uma festa temática de carnaval, homem teria agredido uma mulher, após esta recusar ficar com ele.

Segundo nota expedida pelos organizadores da festa, após o evento acabar uma moça teria sido “constrangida sexualmente pelo agressor depois de recusar-se a ficar com ele. Ao ouvir os pedidos de socorro, uma outra mulher se posicionou em defesa da moça que sofria assédio. O agressor, então contrariado, desferiu chutes contra a cabeça e o corpo desta mulher”.

Dentre os dados divulgados pela Secretária de Políticas para Mulheres do Estado, apenas no Carnaval de Salvador foram registrados 16 flagrantes nos postos móveis da Delegacia Especial no Atendimento à Mulher (DEAM), instalados no circuito; seis casos de importunação sexual; cinco medidas protetivas adotadas; e 10 homens presos em flagrante por violência doméstica.

A DEAM de Vitória da Conquista ainda não tornou público os dados referentes ao período carnavalesco. No entanto, somente no ano passado o Centro Municipal de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos registrou mais de 200 atendimentos às mulheres vítimas de alguma violência na cidade.

 

Campanhas

Durante todo o período de festas carnavalescas, campanhas de prevenção da violência contra a mulher foram realizadas no estado. A principal delas é a “Respeita As Mina”, lançada em 2017 e que tem um trio elétrico no circuito soteropolitano como principal ação.

Respeita As Mina é uma ação permanente de enfrentamento à violência contra as mulheres, promovida pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM-BA).

Inicialmente, a ação nasceu como uma campanha lançada durante o Carnaval da Bahia 2017, que contou com a adesão de diversos artistas e autoridades. Atualmente, a Ação Respeita as Mina abarca diversos projetos da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, que tem em sua temática o enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o estado.

Em Vitória da Conquista, produções locais que realizaram eventos no período também bateram na mesma tecla. O bloco de pré-carnaval Algazarra, por exemplo, recebeu a intervenção teatral do grupo de teatro Apodío.

Vídeo incorporado

Este é o primeiro carnaval em que o “importúnio sexual” foi tipificado como crime através da Lei 13.718/18. Entre o percurso e o início das apresentações no baile, as atrizes e atores deram o seu recado político em relação aos assédios, tão comuns em festas de rua.

As atrizes se uniram para abordar os homens com as mesmas frases que estão acostumadas a ouvir diariamente. Em outro momento, entre o percurso e o início do baile, todos do grupo entoaram marchinhas com letras contra atitudes abusivas.

Alexia Cruzado conta que as paródias foram feitas na intenção de expressar o que as mulheres costumam ouvir pelas ruas e festas. “As marchinhas trazem muito disso. Todos nós retratamos sobre o fato dos homens chegarem puxando, tratando a gente como um objeto e ‘tals’. E enfatizamos muito sobre o NÃO ser NÃO, poais é raro ver um homem que saiba o verdadeiro significado”, conta.

Sobre ter que fazer o papel de agressor por uma dia, Cristiele de Lima confessa que sentiu desconforto. “Claro que houve um prazer quase diabólico ao ver os homens completamente desconcertados- pra dizer o mínimo- com as “cantadas”, com os toques sem permissão, com a ousadia de nossa parte por ter invadido seus corpos. Entretanto, se colocar no lugar do opressor foi bem complicado para mim, felizmente essa é uma faceta que eu desconheço, ‘haha’, embora acredite que todo mundo a tenha”, conta.