Balaio exaltou diversidade no palco do Feira Noise

Vocalista levantou a pauta da transexualidade e da sua representatividade na música

Foto: Duane Carvalho

O último final de semana na Bahia foi marcado pela oitava edição do Feira Noise Festival, na cidade de Feira de Santana, há cerca de 114 km de Salvador. Mais de 30 atrações passaram pela Concha Acústica do Centro de Cultura Amélio Amorim, levando ao público novidades da música brasileira contemporânea e reafirmado o evento como um dos maiores, mais respeitados e conceituados festivais de artes integradas do Nordeste.

Balaio / Foto: Duane Carvalho

O discurso de resistência esteve presente no show da Dona Iracema. Na ocasião, a vocalista transexual Balaio falou sobre a aceitação de pessoas trans na cena do hardcore.

“Há 1 ano eu decidi que ia começar a falar sobre este assunto e criar uma rede de apoio e aos poucos eu fui tomando coragem. Cheguei à conclusão que talvez seja hora de ajudar outras pessoas assim como Laura Jane Grace e Mina Caputo [cantoras trans] me ajudaram e outros cantores e cantoras trans e LGBT em geral”, comentou.

Hiran / Foto: Rafael Flores

Natural de Alagoinhas, Hiran trouxe o discurso de resistência do movimento LGBT em suas rimas. O também rapper que vem ganhando o país lembrou o quanto é difícil alcançar os meios de produção até mesmo dentro da cena do hip hop. “A gente vê no rap uma porta pra desabafar, ele é muito direto em sua fundação, é um protesto, mas a gente enquanto LGBT nunca conseguiu se encaixar”.

Assim, o tema deste ano, “Somos Tudo Isso Mesmo”, ecoou em todos os espaços do festival, colocando em pauta a diversidade de cores, credos, identidades e gêneros, representados pelos artistas que se apresentaram ao longo dos três dias de programação.

Duda Beat / Foto: Rafael Flores

Uma das prioridades da produção este ano foi colocar mais artistas mulheres no palco. Teve representação feminina forte no rap, no rock, no pop e no metal, com nomes como a pernambucana Duda Beat, atração mais esperada do domingo (25). “É importante a gente estar dentro de um festival que está lutando por uma resistência cultural, ainda mais sendo interior da Bahia”, destacou a cantora e compositora disputada por grandes festivais Brasil afora.

Rafael Costa, banda Zimbra / Foto: Rafael Flores

Rafael Costa, vocalista da banda santista Zimbra, comentou sobre a sua felicidade em poder tocar fora dos grandes eixos do Brasil. “O Brasil tem esse lance de ter um tamanho de um continente, em um dia você está tocando em Porto Alegre e no outro você está em Manaus. É maravilho sair de casa e ver que a galera curte o som da banda, independentemente de onde elas estão”, disse.

 

Da cena regional, os juazeirenses da P1 Rappers representaram o rap baiano na programação. “Nós somos ribeirinhos. Temos esse som que é universal, que é o rap, mas temos referências muito extensas. No Vale do São Francisco nós que encabeçamos essa ideia de levar rap para o interior. Como hoje o rap vem crescendo no Brasil, no Vale não foi diferente”, contou o vocalista Euri Mania.

DJ e produtor de Feira de Santana, Lerry disse que se sentiu “lisonjeado em participar da programação do Feira Noise” mais uma vez. “Eu já participei de outras edições com outros projetos e eu vejo que esse festival é o que a gente tem de melhor e onde a gente tem oportunidade de ouvir o que está sendo produzido no Brasil”, disse.

“Nós feirenses ficamos às vezes até isolados por conta da falta de apoio do poder público, quando você tem a oportunidade de mostrar seu trabalho para artistas do Brasil todo é muito importante. É momento de lobby, de comércio, é como se fosse uma feira de música aqui pra gente”, concluiu.